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sábado, 22 de junho de 2019

Câncer - tratamento alternativo funcionou.

Se você tem conhecimento de algum caso de tratamento alternativo que funcionou, me envie seu relato.
A ideia é juntar muitos relatos e procurar entender o que acontece. Casos em que não funcionaram também são interessantes e peço que me escreva relatando o que aconteceu. Todo e qualquer detalhe pode ser importante. Escreva à vontade e minuciosamente tanto quanto possível.
O câncer, juntamente com as doenças cardíacas estão entre as maiores causas de morte e há evidências de que haja muita coisa errada acontecendo.
Aguardo. Escreva para linpires@yahoo.com - Lino Guedes Pires

sábado, 17 de dezembro de 2011

O agradecimento dos animais pelo Natal – parte 2

o agradecimento dos animais pelo Natal

por Marcio de Almeida Bueno

Agradeço aos Três Reis Magos que perpetuaram a tradição de presentear nesta época do ano. Só assim eu pude sair daquela gaiolinha solitária, em frente a um vidro onde tanta gente passava e me apontava. Havia outros irmãozinhos, pequenos como eu, mas todos sozinhos em suas gaiolas. Me restava comer, dormir e fazer sujeirinhas ali mesmo, que depois o moço limpava. Agora, alguém me pegou no colo, me encheu de perfume e colocou um laço de fita vermelho no meu pescoço. Na casa nova onde cheguei, minha presença foi motivo de festa, e virei o centro das atenções, com sorrisos, brincadeiras, cafunés. Espero que seja assim para sempre. Espero que algum dia eu possa conhecer a minha mãe, e receber atenção também dela, porque eu nem lembro de se passamos algum tempo juntos. Espero que ela esteja bem.

Obrigado Jesus por ter me destinado a uma família de humanos, que me tratou bem. Cuidei da casa em troca da renovação da água do meu pote, e o direito de comer até o final todas as sobras de comida que alguém me jogava, uma vez por dia, religiosamente. Agora estou um pouco velho, meio doído, mais pateta do que sempre fui considerado ser. Ouvi reclamações nos últimos tempos. Esses dias fui levado a um passeio, no carro da família. Fomos para longe, vi lugares que nunca imaginei ver. Abriram a porta para eu tomar um ar fresco, numa estrada bem movimentada. Foram embora antes que eu pudesse perceber, tentei correr atrás mas a idade já não me permite. Estou aqui há alguns dias esperando, porque acredito que vão voltar para me buscar. Passam tantos carros, tantas famílias iguais à minha, alguns olham, mas ninguém pára. A sede é muita aqui neste acostamento, antes eu latia para os carros que eu acreditava serem da minha família, mas faltam forças. Sigo esperando aquelas pessoas conhecidas voltarem para me buscar e eu poder ir para casa. Eu tenho fé.

Obrigado bom Deus pela floresta e toda a natureza que foi o meu lar desde que nasci. Correr livre não tem preço. Mas, nos últimos tempos, ouço muito barulho, vejo humanos e máquinas fazendo limpeza na floresta. Parece que é tudo em nome do progresso, porque quem mora lá longe precisa das coisas que existem aqui na minha casa. Mas acho que as máquinas estão exagerando, pois muita floresta já não existe. Lugares onde eu dormi, comi, esperei a chuva pasar, agora é só chão, sem árvores para subir ou fazer sombra em dias de calor. Estamos todos indo para o outro lado, pois está perigoso ficar aqui. Nesses lugares onde não existe mais floresta, reparei que há animais diferentes, todos iguais e com chifres, comendo o que há no chão o dia todo. Talvez a gente estivesse ocupando muito espaço, e esses irmãos novos precisassem de lugar para ficar. Eu cedo o meu espaço, mesmo triste pela mudança, porque sei que os humanos estudam muito, e sempre sabem o que é certo, o que nós não entederemos jamais.

Obrigado Nossa Senhora, que um dia usou seu manto para envolver seu filho que nascia, e também quando ele morreu. Eu nem conheço meus filhos, mas dei minha própria pele para envolver e aquecer as costas e os pés de tantos humanos de quem não sei o nome. Vivi um bom tempo só comendo, até o dia que um caminhão veio nos buscar, depois tudo foi confuso e assustador, mas atribuo isso à minha incapacidade intelectual. Vi que outras iguais a mim eram penduradas e a pele era gentilmente retirada, já que os humanos não têm proteção e precisam da minha pele, que é grossa e resistente. Acho que pude recompensar quem me deu comida e espaço durante tanto tempo, ofertando um couro que eu já não mais vestiria, pois a morte já me levara a pastar nos campos longínquos onde habita o Nosso Senhor.

Muito obrigado Jesus pelo meu nascimento. Só acho que a minha mãe não gostou de mim, pois logo eu fui retirado de perto dela. Essa é uma dor que não esqueço. Devo tê-la feito chorar, como um dia você fez sua mãe Maria chorar. Eu ainda ouvi seu choro ao longe, e tenho certeza de que ela está na mesma fazenda que eu, mas não nos deixam nos ver. Agora eu fico parado em um lugar desconfortável, onde mal posso me mexer, e não posso nem deitar para dormir. Meu arrependimento é grande. Gostaria que intercedesse e pedisse que a minha mãe me perdoasse do que quer que eu tenha feito. Acho que já me desculpei, e quando este castigo terminar eu poderia tornar a vê-la, pois sei que mãe e filho devem estar sempre juntos, enquanto este for pequeno. Não sei falar a língua dos humanos, então quando eles se aproximam, eu só tenho o meu olhar. Eles dão risadas – o final do ano é sempre uma época de felicidade para todos – e dizem que minha carne vai estar bem macia. Eu não sei o que isso quer dizer, e prefiro não pensar nisso agora. Prefiro fazer força e lembrar dos poucos instantes que vivi ao lado da minha mãe – ela parecia tão grande e forte – em um lugar que, mesmo cercado, dava para esticar as pernas. Aqui eu não posso me virar, tudo é desconforto. Espero, sinceramente, que a ‘carne macia’ que os humanos falaram signifique a minha liberdade. Se eu pudesse escolher, ficaria comportado em uma manjedoura, sem o castigo de ficar fechado e imobilizado. Peça, Jesus, para a minha mãe me perdoar logo.

Deixo aqui minha gratidão a todos os anjos, pois nada mais honrado a um ser do que que poder abrir mão da própria vida em função da felicidade de outros. Quando nasci eu era tão pequeno, com meus irmãozinhos, e minha mãe era tão grande e gorda, que eu mal via seu rosto. Ali a maioria era grande, mas rapidamente eu tive que ir embora, e não lembro se houve um olhar de despedida da minha gorda mãe. Para onde eu fui, todos estavam de branco. Eu acho que eram anjos, pois colocavam muitos irmãos meus, que pareciam desesperados, para descansar. Ouvi dizer que a câmara fria estava nos esperando, mas eu não queria passar frio. Queria o calor da minha mãe. Queria o cheiro dos meus irmãozinhos de volta – onde estava, só havia cheiro de sangue, pois alguém devia ter se machucado muito. Poderiam ser médicos todos esses que estavam de branco. Enfim, obrigado a todos eles, pois nesta noite tão especial me deixarem descansar por sobre uma mesa bonita. Há velas, risadas e abraços. Eu acredito, do fundo do meu pequeno coração que já não está mais batendo, que eles eram anjos que vieram me buscar.

Fonte: ANDA

domingo, 2 de outubro de 2011

O que fazer com os peixes? ou ‘Cusparadas & assuntos-tabu’

Linkfarra do peixe

“Mantêm você dopado com religião, sexo e TV / E você se acha tão inteligente, incomum e livre” – John Lennon, em ‘Working Class Hero’

por Marcio de Almeida Bueno

Quando se diz ‘Semana da Pátria’, são dias para homenagear e bater palmas à Pátria, quando é ‘Semana Santa’, significa uma seqüência de dias sagrados para os católicos, etc. Ou seja, a favor do assunto em questão. Mas quando o Governo Federal promoveu em setembro último a Semana do Peixe, era o contrário. Incentivo ao consumo de ‘pescado’, naquela conversa de vida saudável – termo que abrange de tudo, até idéias opostas.

Mas o ponto é que o peixe – citado aqui para fins de clareza e economia de espaço, já que o material oficial da campanha do Ministério da Pesca incluía camarão, siri e outros ‘frutos do mar’ – ganhou o carimbo de comidinha leve, saudável e não-carne. Já é piada corrente a frase ‘não como carne, só peixe’, ou os auto-intitulados vegetarianos, por só comerem… aquele animal que vocês já sabem. Peixe não tem sangue, peixe tem sangue frio, peixe não sente dor, peixe tem consciência coletiva, peixe é burro, Jesus comia peixe – todas essas frases-clone são xerocadas de boca em boca, babadas, e entraram na gaveta do senso-comum. Quem não der essa resposta na hora da prova, valendo nota, ganha zero da sociedade.

Na obrigação de sempre compartimentar o universo, a humanidade divide os animais entre úteis e nocivos, comestíveis ou não, alvos de amor ou tiro. Essa contabilidade vem desde a Bíblia. Em Levítico, 11, há o trecho “…de todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis. Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação. Ser-vos-ão, pois, por abominação; da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadáver… Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra, para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer”.

O estalo do chicote que chegou até aqui, a fazer doer a bunda dos defensores dos direitos animais, é que temos que lidar com pessoas, ditas esclarecidas, que não comem carne, só peixe. Que jejuam na Sexta-feira Santa, comendo só peixe. Jesus comia peixe. Que tornaram-se vegetarianas por consciência, então agora só comem peixe. Que estão preocupadas com questões de ecologia anal, então optaram por comer só peixe. Que já refletiram sobre a – própria – saúde à mesa, então só trituram ‘pescado’ em seus dentes não-carnívoros.

E mesmo entre os que estão na causa animal, poucos pensam na morte dos peixes, a sério. Não a morte como estatística, como violência gráfica, mas o instante da morte. O momento de empacotar para sempre. Pois teoricamente, e bota boa-vontade minha nisso, os demais animais para consumo têm um fiapo de consideração legal em relação ao instante da morte – esta situação que está além de nossa vontade, infelizmente. Aviso aos chato/as que só conseguem chegar ao orgasmo quando apontam para alguém e gritam ‘Joga pedra na Geni! Ela é bem-estarista! Ela é boa de cuspir!’, que permaneço a salvo de suas cusparadas amargas.

Quando a WSPA – cusp! cusp! – fala de abate humanitário de peixes, é claro que nenhum abolicionista permance quieto na cadeira. Óbvio, e não precisamos discutir isso, combinado? Combinado. O ponto que levanto é que a maioria das pessoas, essa gente aí fora, mandando mensagem via celular e subserviente por opção – dá risada. Sonoras risadas. Peixes? Ahahahahhaha. E ainda cutuca o cidadão ao lado, para rir também.

Ou seja, os peixes estão entre as ondas e os rochedos, para usar uma metáfora apropriadamente clichê. Nem se pode discutir sua morte – inevitável, já que o mundo não será vegano a partir da semana que vem, infelizmente – nem se pode discutir sua morte. Percebem o paradoxo? Não se pode discutir a morte de peixes, e também não se pode discutir a morte de peixes. Não, eu não escrevi errado, é isso mesmo. Sutil, mas o tabu é esse.

O cidadão médio repassa aos conhecidos aquele clássico email do festival da matança de baleias na Dinamarca, acho que o assunto é ‘Fw: Vergonha Mundial!!! Repassem! Joguem pedra na Geni!!!’. Poucos fazem o hiperlink com a sangueira que foi genesis de sua refeição. Incluindo o tal peixinho grelhado, recomendado pelos cardiologistas.

Sim, eu sei que baleia não é peixe, nem morcego é inseto, como pensa o Calvin.

Lembrei também de uma recente ‘pescaria de protesto pró-Xingu’ – novamente a ecologia mostrando a língua para os direitos animais. A caça de peixes como algo lúdico, puro, natural, Robinson Crusoé, etc. Quero dizer que o especismo vai se enraizando em todas as invaginações do sistema, ao ponto de fazer crer às multidões que peixe ‘não é carne’. E nem mesmo tudo que está na água é comida – não por nojo, mas por peninha. Como quebrar essa muralha que parece crescer junto com o aumento populacional? Como resolver essa equação de saber que os peixes seguirão sendo mortos por asfixia para o consumo humano, mas sem perder o tempo abolicionista resolvendo os nós bem-estaristas?

Não tenho resposta pronta, ainda – até porque no meio dessa guerra da humanidade contra os animais, preciso estar atento a eventuais cusparadas.

Fonte: ANDA

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vanguarda Abolicionista faz palestra de encerramento em faculdade de Direito

Fotos: Ellen Augusta Valer de Freitas

direitos animais

Na noite desta quarta-feira, dia 1º de dezembro, a Vanguarda Abolicionista ministrou palestra de encerramento de semestre para os alunos do curso de Direito da FARGS, em Porto Alegre. A partir das 21h, o jornalista Marcio de Almeida Bueno, um dos membros-fundadores da VAL, falou sobre direitos animais, abolicionismo, anti-especismo e ibertação animal a uma interessada platéia. O ativista distribuiu o folder oficial do jurista Gary Francione, maior nome do abolicionismo na atualidade, e exibiu o tenso documentário mini-metragem ‘Dans Le Couloir de La Mort‘. Durante o vídeo, impressionado, um aluno exclamou “…o boi é bicho / mas tem alma sob o couro” – frase de ‘Poncho Molhado’, clássica música do tradicionalismo gaúcho.

FARGS

Durante mais de uma hora, Bueno apresentou a um público de não-iniciado as razões do veganismo como meio de transformação da realidade, e apontou as diferentes contradições que existem no pensar e agir da maioria da população. “Se eu não sou mulher, negro ou homossexual, posso viver minha vida sem me importar com a opressão sofrida por esses grupos. Mas seria um retorno à barbárie. Auferir direitos aos animais não-humanos, e especialmente liberdade, ainda provoca desconforto em boa parte da população”, provocou o ativista. Respondeu perguntas e questionamentos dos presentes, desde a suposta necessidade de alimentos de orgem animal na dieta humana até um cenário econômico sem a existência da pecuária.

direitos animais

A atividade se encerrou com distribuição gratuita de vídeos relacionados à exploração dos animais e de livros do grupo alemão Vida Universal, além de panfletos da campanha pelas girafas da coalizão Lugar de Animal. A receptividade por parte dos alunos e professores foi tão boa que foi aventada a idéia de programar palestra para todos os cursos com algum nome do Direito ligado à questão animal, como o promotor Jaime Chatkin. “Sou cachorreiro, minha avó foi presidente da ARPA, depois da Palmira Gobbi. Achei que se falaria sobre adoção de cachorro e gato, mas me surpreendi e vou sair daqui com muitas coisas para pensar”, confessou um dos alunos na despedida.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vanguarda Abolicionista leva o ativismo gaúcho ao show de Paul McCartney

Fotos: RSantini
paul mccartney

por Marcio de Almeida Bueno, jornalista

Em um domingo de forte calor, a Vanguarda Abolicionista com seus apoiadores, e também ativistas independentes e as siglas Projeto ProAnimal e Ramatis Porto Alegre, passou o dia junto ao estádio Beira-Rio, local do show do ex-beatle Paul McCartney em Porto Alegre. A idéia foi aproveitar a presença do roqueiro vegetariano e ativista pelos direitos animais, e das milhares de pessoas que circulavam pelo entorno do estádio neste 7 de novembro.

paul mccartney

O grupo realizou maciça panfletagem com material preparado especialmente para a ocasião, com os dizeres ‘Escute Paul McCartney – ele tem muito a dizer contra o consumo de carne e sobre direitos animais‘. Não foram poucos os fãs que afirmaram desconhecer a ligação do músico com a causa animal e vegetariana, e como promotor da Segunda Sem Carne.

paul mccartney porto alegre

Outro material produzido para o evento foi um banner em tamanho natural de Paul – autorizado pelo PETA, tratando de sua mudança de vida rumo à defesa dos animais. Dezenas de pessoas posaram ao lado do cartaz para fotografias, e até mesmo uma equipe da RBSTV/Globo gravou reportagem junto ao banner, entrevistando um dos ativistas.

paul mccartney

A ocasião também permitiu a coleta de assinaturas contra a importação de novas girafas para o Zoológico de Sapucaia do Sul, dentro do movimento ‘Lugar de animal é no habitat natural’, do qual a Vanguarda Abolicionista faz parte. Fãs anônimos e famosos, famílias inteiras, gente de vários pontos do Brasil e do Mercosul endossaram o documento em favor das girafas, e até mesmo dois iintegrantes da banda Chimarruts – foto abaixo – deixaram sua assinatura.

chimarruts

Milhares de panfletos e adesivos foram distribuídos, para um público que aumentava à medida que o horário da abertura ds portões se aproximava. A ligação de Paul com o vegetarianismo/vegansimo, explicitada pela Vanguarda Abolicionista na manifestação, provocou as mais diferentes reações. Muitos se declaravam vegetarianos, veganos e até ativistas, outros viam tudo com incredulidade, e alguns poucos ficaram incomodados. “Tu mata o alface e o tomate que não têm como fugir, covarde filho da p***!”, esbravejou um grupo de jovens de classe média, visivelmente alterados. Não se sabe o porquê de terem pago cerca de 500 reais para o show de um artista vegetariano, militante e reconhecidamente sensível em relação aos animais – e outras causas nobres.

paul mccartney

Os ativistas deram entrevista para uma equipe de Santa Catarina que realizava um documentário, e a partir da abertura dos portões circularam por entre as milhares de pessoas que acorriam ao Beira-Rio. Esgotados pelas sete horas de pé sobre o asfalto e sob o Sol, os ativistas recuperaram as forças saboreando lanches veganos oferecidos pela culinarista Pris Machado, presente no ato.

paul mccartney porto alegre

Uma pasta de mini-pôsteres com fotos de protestos da Vanguarda Abolicionista, com apresentação em inglês, foi entregue à equipe de produção do espetáculo, para chegar às mãos do cantor. Alguns dos manifestantes, mesmo exaustos, entraram no estádio para assistir ao show, portando faixas, e o restante do grupo deixou o local para tratar da pós-produção de Comunicação do grupo.

mccartney

Galeria de imagens

Fotos: Marcio de Almeida Bueno
paul mccartney porto alegre

Fotos: RSantini
paul mccartney porto alegre

paul mccartney

paul mccartney

paul mccartney

paul mccartney

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

RS: ProVegan e VAL estarão na Praça de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável neste domingo

Foto: VAL
feira alimentação
Banquinha vai tratar de veganismo

O Comitê Gaúcho de Ação da Cidadania promove neste domingo, dia 17 de outubro, a Praça de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável 2010, que estará instalada ao redor do Munumento do Expedicionário na Redenção, em Porto Alegre. Haverá stands de entidades como Associação Gaúcha de Nutrição, Emater, Conselho Estadual de Segurança Alimentar, Embrapa, Instituto de Cardiologia, Fome Zero, Organização de Mulheres Negras, Secretaria da Saúde e muitos outros, das 10h às 17h.

A equipe do site ProVegan e a Vanguarda Abolicionista terão uma banca educativa com distribuição de impressos informativos sobre o veganismo, em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira. O Movimento Justiça Ecológica, da colaboradora Eliane Carmanim Lima, também terá stand, com distribuição de panfletos e informações sobre o vegetarianismo, aspectos nutricionais e filosóficos. A entrada é franca.

Clique aqui para ver a programação completa deste ano. Clique aqui para ver como foi a feira do ano passado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ecos do feminismo na libertação animal

por Ellen Augusta Valer de Freitas

Recentemente a bióloga e bacharel em comunicação social Tamara Bauab Levai, autora do livro Vítimas da Ciência – Limites éticos da experimentação animal, fez uma brilhante palestra no congresso vegetariano brasileiro sobre ecofeminismo.

Conheci gente que só foi ao congresso para assistir a esta palestra e lamento que eu não tenha podido assistir, pois este tema me fascina. De dentro de nossas bases, como biólogas, temos muito material para falar de como historicamente, biologicamente e economicamente a exploração da mulher e dos animais, da natureza como um todo, tem andado de braços dados. Mas a mulher é a única que tem voz e meios igualitários de se defender perante os demais de sua espécie, ou pelo menos deveria usar destes meios.

Ainda hoje, ser uma “mulher pública” gera o incômodo persistente de que há algo errado com ela. Não pode ser sério, não pode ser dela a fama. É por causa do marido, ela deve ter comprado o diploma, blá-blá-blá…

Será? Vemos isso na política, na sala de aula, em todo lugar. Isso é velho, mas ainda temos de ouvir. Enquanto discutimos sobre isso, ainda pesa no ar o preconceito contra as mulheres e a sutil comparação com a “natureza”, de forma depreciativa.

As mulheres possuem voz. Os animais, não.

Fritjof Capra, em seus livros excelentes, já relatou trechos de biólogos, psicólogos e outros sobre a sutil e inconsciente comparação da mulher com a natureza. Semelhante comparação feita por Tamara Bauab Levai nos seus artigos. E o físico Fritjof Capra, de forma sucinta, compara a exploração da mulher com a exploração da natureza. Segundo suas palavras, assim como o “homem” dominou e explorou a natureza, assim ele pensa em relação às mulheres e a qualquer expressão do feminino. As frases “dominar a natureza”, “explorar e invadir a natureza” seriam aplicadas ao comportamento com relação às mulheres em geral.

De modo que o feminino, sendo reprimido, não teve outra saída senão estar disfarçado por todos os lados, nas igrejas sob símbolos e nas roupas de sacerdotes entre outros modos de expressão sutil. Pois todos temos os lados masculino e feminino, e é natural que estas duas forças se expressem de qualquer modo, mesmo sendo negada.

Estas teorias/constatações, vindas de um físico, de biólogos e psicólogos, já são polêmicas. Mas parece que, quando uma mulher fala deste assunto, as pessoas se incomodam profundamente, como se à mulher coubesse apenas calar. Jamais discutir e denunciar o preconceito vigente. Por quê?

Outro psicólogo aqui do Brasil, Ezio Flávio Bazzo, denuncia em alguns de seus livros a nomenclatura pela qual as mulheres são ostensivamente chamadas e detalhes da natureza humana:

“Assim como em vários recantos deste planeta crianças são mutiladas e deformadas propositalmente por seus familiares e por outros adultos para serem usadas depois como instrumentos de mendicância, durante muito tempo os pés das mulheres chinesas também foram mutilados e diminuídos porque os homens sentiam excitação diante de mulheres com pés de criança. A pedofilia, talvez seja mais antiga que aqueles rochedos vulcânicos sobre os quais os arqueólogos e os paleontólogos tanto têm cacarejado.”

“Coelhinha. Cadela, vaca, cabrita. Esses ‘elogios’ frequentemente dirigidos às mulheres encontram sua expressão máxima no ambiente que os sulistas denominam matadouro.

Matadouro, lá no sul-maravilha é o lugar, como já relatou uma entrevistada, escritório, quitinete, apartamento, motel, garagem, etc., para onde os senhores-de-bem levam clandestinamente suas amantes ou suas meninas para f… [omitido neste artigo, mas não no texto original]… Seria ódio à mãe expresso de forma generalizada contra todas as mulheres?”

A mulher como objeto e os animais como objetos: exemplo de convite para festa. (Reproduzido de Myspace.com)

Segundo ele, essa mania de alguns homens de querer infantilizar a mulher, seja do ponto de vista físico, bem como do ponto de vista intelectual, e de preferir mulheres com comportamento infantiloide, seria uma atitude que denuncia uma preferência por modos infantis. Algumas mulheres entram no jogo, pois para que exista o opressor tem de haver os que voluntariamente se colocam como oprimidos. Já notei que alguns homens não suportam por muitos minutos uma mulher com uma opinião mais arrojada, ou simplesmente com opinião!

E Ezio Flávio Bazzo continua:

“Mãe é mãe… paca é paca… mulher é tudo vaca… a música do Bussunda não é apenas uma brincadeira, um humor negro e uma arte, é o cântico dos cânticos do mundo masculino. Para o homem comum, intelectual, rico, pobre, ignorante etc., a mulher não passa de uma vaca, começando pela mãe e as irmãs, continuando com a professora e terminando com a esposa, as filhas, as amantes. Numa pesquisa realizada numa faculdade da cidade, onde 99% dos alunos são mulheres, 30% do universo pesquisado acham que a mulher, se não é, pelo menos tem algo em comum com as vacas. Mãe é mãe… paca é paca… mulher é tudo vaca… Cantam pelos corredores da história. (…) Mas voltando ao assunto da vaca, desse animal passivo, de olhos tristes, que vive para ruminar e para enriquecer seus gigolôs (os pecuaristas) com leite, chifres, filé mignon e com a própria pele, por que será que as mulheres se indignaram bem mais com a música que as chama de vaca do que com as que as chamam de cachorras?”

Estas incômodas e irreverentes colocações são interessantes para mostrar como a sociedade aceita prontamente certos comportamentos. Como uma sociedade machista e presa a conceitos estreitos de liberdade pode pensar em libertação animal? Ainda estaremos longe de libertar os animais, se continuarmos a ajudar a construir nossas próprias grades. As mulheres ainda estão apoiadas sobre as grades que elas mesmas ajudam a manter. Algumas se orgulham de depreciar as demais. Como se a personalidade pessoal/o cabelo ou a maneira de ser interferisse na qualidade do trabalho, na profissão. Diferente dos animais, que não têm voz, nem escolha dentro do nosso mundo, aqui encontramos um paradoxo, que é o cultivar as próprias grades e se incomodar quando alguém se liberta.

Percebam como o mal prontamente se organiza, o bem é disperso, portanto também é mal.

Os que são contra os animais/mulheres/crianças estão prontamente organizados e unidos. O restante é omisso e desunido. Triste realidade. Obviamente sei das exceções ao que escrevo aqui.

As palavras deste escritor, em todo seu significado, nos mostra de maneira clara como até mesmo a linguagem é presa aos diversos preconceitos existentes.

Gosto de frisar algumas palavras especistas, pois se fôssemos deixar de usar as palavras especistas, machistas, e de outras classes de preconceitos de nossa linguagem, rapidamente a língua portuguesa estaria fadada à extinção, até mesmo dentro de sua estrutura.

Num próximo artigo, citarei algumas frases misóginas de filósofos em que todos babam e que idolatram, os quais construíram as bases da filosofia moderna. E as relações entre especismo e machismo, além das que foram citadas aqui.

Fonte: ANDA

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Stand da Vanguarda Abolicionista no Congresso Vegetariano foi o ponto de encontro do ativismo nacional

Fotos: RSantini

congresso vegetariano
Muitos nomes conhecidos passaram pela banquinha da VAL

De 16 a 19 de setembro, a Vanguarda Abolicionista esteve participando do 3º Congresso Vegetariano Brasileiro, ocorrido em Porto Alegre. O stand do grupo acabou sendo o ponto de encontro e bate-papo dos maiores nomes do ativismo e pensadores da causa animal no Brasil, atraídos pela qualidade do material exposto e pela recepção fraternal.

Congresso Vegetariano
Público interessado e selecionado foi uma constante no stand do grupo

Nomes como George Guimarães do VEDDAS, Bianca Turano e Núzia Brum da SVB/Rio, Bruno Müller e Leon Denis da Sociedade Vegana, Silvana Andrade da ANDA, Alex Avancini do Vegan Staff, Anderson Reichow e Lúcia Badia dos DDA/Pelotas, Fábio de Oliveira da UFRJ / UNIRIO, Márcio Linck do Projeto ProAnimal, Cacá e Marcelle Nedel do ComPaTA, Gunther Filho da Sea Shepherd e todo o grupo paraense Vegetarianos em Movimento estiveram circulando pela banca da VAL durante os quatro dias do congresso. O público geral do evento também se fez presente de forma maciça junto aos integrantes da Vanguarda Abolicionista, adquirindo camisetas, adesivos, buttons e livros, solicitando amostras do farto material gratuito, trocando contatos, batendo fotos, oferecendo-se para participar das atividades do grupo ou apenas parando para confraternização.

congresso vegetariano
Troca de idéias e descontração fizeram parte da presença da Vanguarda Abolicionista no Congresso

A Vanguarda Abolicionista também participou da programação de palestras e oficinas do congresso, sempre filmadas para posterior divulgação. No sábado, 18 de setembro, às 9h, o membro-fundador da VAL, jornalista Marcio de Almeida Bueno, ministrou a palestra ‘Comunicação de guerrilha, Jornalismo pé-na-porta e mantra-boca-suja: táticas e relato de cases’, sobre ações práticas de comunicação viáveis ao interessado em se engajar na causa animal, para uma sala cheia.

congresso vegetariano
Jornalista apresentou ferramentas e táticas de Comunicação para a causa abolicionista animal

A palestra seguinte esteve a cargo de outro membro-fundador do grupo, a bióloga Ellen Augusta Valer de Freitas, que apresentou ‘A defesa dos direitos animais na educação’ para uma sala lotada.

congresso vegetariano brasileiro
Bióloga relatou suas experiências como educadora engajada

No dia 19, às 9h, houve a oficina de ativismo ‘Vanguarda Abolicionista e o ativismo linha-de-frente’, ministrada por Marcio de Almeida Bueno, que fez uma versão resumida da palestra do dia anterior, já que diversas pessoas não puderam assistir em função dos eventos simultâneos.

vanguarda abolicionista
Oficina da VAL reuniu ainda mais público para conhecer estratégias e casos em prol dos animais

Em seguida, a nutricionista Claudia Lulkin ministrou ‘Magia Vegetal: o vegetarianismo mudando paradigmas pró saúde humana, animal e do planeta’. A ativista e culinarista Pris Machado apresentou a demonstração culinária ‘Panquecas Recheadas & Cookies de Chocolate’ – ela e Claudia Lulkin montaram um concorrido stand em frente ao da VAL, que também recepcionou famosos e anônimos que circularam pelo Congresso Vegetariano.

Claudia Lulkin
Nutricionista apresentou seu vasto arsenal de conhecimento e experiências

A socióloga Eliane Carmanim Lima apresentou a palestra ‘Vegetarianismo – uma revolução cultural: evidências e implicações’, os parceiros Carol & Leo, do restaurante Casa Verde, apresentaram a demonstração culinária ‘Delícias veganas’, e Alex Avancini, do Vegan Staff, mostrou o protesto da Vanguarda Abolicionista na última Expointer como parte de sua palestra.

vegan staff
Vanguarda foi citada em palestra proferida por ativista de São Paulo

Integrantes do grupo ainda foram entrevistados para o programa Sintonia da Terra, dos Ecojornalistas, e para um documentário sobre vegetarianismo produzido por Rachel Siqueira, a popular ‘La Chica’. Houve jantar árabe na noite de domingo, 19, reunindo o VEM, do Pará, ComPaTA, de Passo Fundo, e a Vanguarda Abolicionista.

sábado, 11 de setembro de 2010

Vanguarda Abolicionista se fará presente no 3º Congresso Vegetariano

congresso vegetariano

A Vanguarda Abolicionista vai partiicipar de forma plena do terceiro Congresso Vegetariano Brasileiro, que acontece de 16 a 19 de setembro em Porto Alegre. Na programação, extensa grade de atividades, palestras, oficinas, com nomes como George Guimarães, Carlos Naconecy, Eric Slywitch, Heron Santana, Silvana Andrade, Marly Winckler, Ricardo Timm de Souza, Renata Fortes e muitos outros.

A VAL estará representada por três nomes de seu núcleo central, que vão palestrar e ministrar oficina de ativismo, além de stands para atendimento ao público durante os dias do Congresso.

No dia 18 de setembro, sábado, das 9h às 10h na Sala Araucária, Marcio de Almeida Bueno ministra a palestra ‘Comunicação de guerrilha, jornalismo pé-na-porta e mantra-boca-suja: táticas e relato de cases‘. Segundo o jornalista, a atividade vai tratar de ações práticas de comunicação viáveis ao interessado em se engajar na causa animal, Internet, material impresso e impactos inversamente proporcionais ao custo, aproveitamento de equipamento doméstico, multiplicação da informação, canais disponíveis e busca por um maior público. Haverá relato de ações pequenas que causaram efeitos grandes no cotidiano da luta pelos direitos animais, e estratégias de confusão, ‘bombas de fumaça’ e como se mimetizar na atual sociedade caleidoscópica.

A palestra imediatamente seguinte, na mesma Sala Araucária, das 10h às 11h, será da bióloga Ellen Augusta Valer de Freitas, com ‘A defesa dos direitos animais na educação‘. Na pauta, sua experiência como educadora e os projetos envolvendo filmes, textos e outros materiais relacionados aos direitos dos animais, vegetarianismo e meio ambiente.

No dia 19 de setembro, domingo, das 9h às 10h, na Sala Figueira, acontece a oficina 13 de ativismo, intitulada ‘Vanguarda Abolicionista e o ativismo linha-de-frente‘, a ser ministrada por Marcio de Almeida Bueno. O objetivo é apresentar as ações da VAL, sua estrutura e estratégia, os diversos ramos em que atua e a prática do dia-a-dia. Protestos, movimentações ppsitivas, burocracia, materiais produzidos e apoio do grupo alemão Vida Universal / Universelles Leben.

Em seguida, das 10h às 11h, mas na Sala Paineira, a nutricionista Claudia Lulkin ministra a palestra ‘Magia Vegetal: o vegetarianismo mudando paradigmas pró saúde humana, animal e do planeta‘. Claudinha vai explicar por que a alimentação vegana é funcional, e também consensos da ciência da Nutrição, além de frutas nativas do Sul, plantas alimentícias não convencionais e outras especialidades.

A Vanguarda Abolicionista terá ainda um stand fixo na feira vegetariana – que estará aberta durante os quatro dias do evento, onde distribuirá materiais, conversará com o público sobre suas atividades e comercializará camisetas, buttons, DVDs e livros. Claudia Lulkin e Pris Machado, também colaboradora da VAL, terão stand próprio, para apresentar idéias e comercializar lanches veganos. Não precisa estar inscrito no Congresso para circular na feira.

O Congresso Vegetariano acontece no SESC Campestre, localizado na avenida Protásio Alves, 6220, e informações completas estão no hotsite http://www.svb.org.br/3cvb.

sábado, 7 de agosto de 2010

Do alívio rápido contra os sintomas e a reação ao anti-especismo

especismo

por Marcio de Almeida Bueno

Mecanismos que o sistema já apresenta para aliviar sentimentos e conflitos internos nas pessoas, sem que haja uma ação posterior, algo que pudesse fugir do controle. Então a idéia de não comer carne – ponto de partida, apenas – nem demais produtos de origem animal, habitualmente recebe a resposta-a-vácuo de que é necessário comer isto ou aquilo. Não tolera-se abuso, maus tratos ou ‘maldades’, mas estaria o homem apenas batendo continência a uma ação-tradição que vem dos próprios animais, comendo-se uns aos outros, conforme o apetite. Ou orientações bíblicas, cabendo aos humanos a administração das plantas e ‘animais’, como quem vai, manhãzinha, buscar fruta no quintal. Cadeia alimentar, necessidade de proteínas, ‘ué, o leão come a zebra’ ou ‘a vaca nos comeria, se pudesse, então…’.

Em todo esse esperneio infantil, de quem não se permitiu ainda um insight – porque isso provavelmente o faria questionar a própria vida – soa como as trombetas anunciando a chegada de um rei-morto, idéia-cadáver que se instalou e é passada de geração junto com as pratarias da casa, polidas e no lugar certo. Os mecanismos de controle social abastecem de combustível toda moleza herdada, toda incapacidade de questionamento além dos tapumes erguidos pela geração anterior, e o eventual fiapo de remorso ou incômodo no pensamento pode ser resolvido com um aplacador raciocínio curto e clichê.

Some-se a isso um aprendizado confuso sobre amor e respeito, massinha de modelar amassada com todas as cores até ficar sem cor alguma, e crescem as pessoas separando em gavetas o que pode ser amado, o que deve ser amado, o que precisa ser amado escondido dos outros, o que se cabe respeitar ou jogar pedras e cuspir em cima, o que se deveria resepeitar mas entra no molho das fraquezas humanas – esses furos que a tudo se adaptam, e que rapidamente tiram o corpo fora na hora do aperto. Tadinhas das crianças na Etiópia, sinto muito pelos menores no sinal, que dó pelos velhinhos no asilo, pela Amazônia e pelo não-humano que deu sua vida para que tenhamos esta saborosa refeição. Uff, que alívio rápido dos sintomas.

Bem, a resposta para um posicionamento tão subversivo como a revisão dos valores até então cantados em uníssono está vindo das formas mais atrapalhadas, talvez pela – ainda – perplexidade frente a quem viva, e viva bem, sem necessariamente ter um corte de cabelo estranho ou não pagar as próprias contas, mas se abstenha não-passivamente de tomar seu assento no financiamento da escravidão animal. Já ouvi a expressao ‘terrorista doméstico’. Então sem se identificar com qualquer coisa que soe como errada ou anti-social, mas também sem tentar olhar um pouco por cima dos tapumes, o cidadão-médio já puxa, engatilhado, um revólver de respostas.

Deus, bíblia, família, tradição, educação, cadeia alimentar, necessidade de proteínas, ‘leão come zebra’, tudo se mistura na reação, na resposta automática. Muitas vezes, sem que nada seja perguntado, pois esse não-tomar-parte que os anti-especistas até silenciosamente fazem, perturba alguns. O diferente, e o medo de se ver refletido nele, algum dia. De permitir que o fiapo de inquietação tome proporções a ponto de mudar a vida, e ver-se pisando mais leve neste planeta. Uff, que alívio rápido dos sintomas.

Fone: ANDA

Novo restaurante vegano de São Paulo sedia curso de culinária

No próximo dia 15 de agosto, a chef Luisa vai ministrar um curso de culinária no mais novo restaurante vegano de São Paulo, o Loving Hut. As receitas a serem ensinadas e degustadas incluem esfihas integrais, pão integral com grãos, recheio e patês de tofu, moqueca de tofu com algas, hamburguer de lentilha, bolo de maçã com canela e nozes, leite de aveia e guacamole. A aula acontece na rua França Pinto, 243, Vila Mariana, Capital, das 14h às 19h, com investimento de R$ 50, com apostila. Inscrições pelo veganas@gmail.com.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paisagismo alimentar alia jardinagem à alimentação saudável

Foto: Marcio de Almeida Bueno
claudia lulkin
A nutricionista Claudia Lulkin, adepta de um estilo de vida em harmonia com a natureza, realiza trabalho educativo de resgate da cultura da jardinagem voltada para a alimentação num assentamento urbano na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul – o chamado paisagismo ou jardinagem alimentar. Nesta entrevista, ela esclarece o que é e quais os valores difundidos por esta prática que, de acordo com ela, deveria ser adotada não só no campo, mas também nas cidades.
Mobilizadores COEP – O que é paisagismo alimentar? Em que princípios se baseia?
R.: Paisagismo alimentar é uma proposta de se plantar, num mesmo local, plantas destinadas ao embelezamento e outras que podem fornecer alimentos, como árvores frutíferas, plantas medicinais, como guaco, boldo, camomila, e flores comestíveis como capuchinha. Em todos os lugares, em cada cantinho, em cada pedacinho que parece abandonado podemos fazer um jardim aprazível, curador, colorido, organizador do olhar. O princípio básico é embelezar como função estética, anti-estresse e incentivar a paixão pela jardinagem.
Mobilizadores COEP – De que maneira o paisagismo alimentar pode contribuir para promover a segurança alimentar, principalmente, dos mais pobres, onde os recursos e também o acesso à informação para uma alimentação saudável são mais escassos?
R.: Promover a segurança alimentar é muita pretensão, mas, ao plantarmos frutas como mamão, limão, laranja, bergamota, maracujá, pitangas, goiabas, butiás e abacate; temperos, como salsinha, cebolinha, manjericão, manjerona; e ervas medicinais como capim cidró, camomila, macela, lavanda, podemos oferecer às comunidades princípios curativos, vitaminas e minerais, que além de tudo podem ser compartilhados e dar aroma e cores à paisagem. Mesmo a jardinagem na cidade utiliza plantas de forma bem repetitiva, ou seja, com pouca diversidade e, em geral, sem função alimentar.
Mobilizadores COEP – Qual a relação entre paisagismo alimentar e permacultura? Poderia explicar a diferença entre eles?
R.: A permacultura é a prática de uma cultura permanente que engloba planejar e manter sistemas de escala humana ambientalmente sustentáveis. Em permacultura também se faz paisagismo alimentar e muito mais. Esta cultura ocupa-se de guardar água para molhar as plantas, ensina a fazer telhados verdes que também podem ter plantas alimentícias, faz casas com recursos locais. O paisagismo alimentar está dentro da permacultura, está dentro das práticas de agrofloresta, está dentro do paisagismo, da arquitetura, da agricultura urbana.
Mobilizadores COEP – Podemos aplicar o paisagismo alimentar nos grandes centros urbanos? Como seria o plantio em apartamentos?
R.: Muitas pessoas plantam suas flores e temperos em sacadas de apartamentos, em parapeitos de janelas. Os centros urbanos têm muitas áreas com espaços que podem se tornar jardins comestíveis. A princípio qualquer lugar pode receber plantas para se tornar mais agradável.
Mobilizadores COEP – Que tipo de alimentos, flores e ervas medicinais podem ser cultivados? Quais os principais cuidados que devem ser adotados?
R.: Já citei vários, mas é importante se certificar com pessoas que entendam de plantas e estudar o que pode ser plantado, para não ter problemas futuros com fios de eletricidade ou com canos que estão sob calçadas, por exemplo, caso as espécies escolhidas cresçam muito ou tenham a raiz muito grande.
Mobilizadores COEP – De que maneira podemos melhorar a nossa interação com a natureza, através dos alimentos, dentro dos grandes centros urbanos?
R.: Cada vez mais parece que as pessoas estão se dando conta da necessidade dos elementos da natureza para sua sanidade: tomar sol, respirar ar puro, sentir a brisa e o vento, ouvir a chuva, ver um lago, ver o verde, sentir os aromas. Se plantarmos jardins que também sejam comestíveis, também sentiremos sabores. É uma alimentação não só para o corpo, mas para a mente, para os olhos, para os sentidos, para o equilíbrio psicológico.
Mobilizadores COEP – Você trabalha com um assentamento urbano em São Leopoldo (RS), onde desenvolve um trabalho educativo através da jardinagem alimentar. No que consiste o trabalho e há quanto tempo vem sendo realizado? Ele já trouxe resultados? Poderia citar exemplos práticos?
R.: O assentamento urbano Vida Nova, em São Leopoldo, abriga cerca de 133 famílias que moravam às margens do Arroio Kruse e foram reassentadas pelo Projeto PAC Arroio Kruse – projeto articulado junto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vinculado ao Governo Federal, sob a coordenação da Prefeitura. O projeto visa também à regularização fundiária e a recuperação ambiental de aproximadamente 1,5 quilômetros do arroio.
Estamos começando a disseminar a ideia da criação de uma nova paisagem, de embelezar e valorizar os espaços individuais e coletivos e acrescentar princípios alimentares – jardins com ervas, com flores coloridas e curativas, com trepadeiras como guaco e bertalha, e babosa para cicatrização, por exemplo. As famílias assentadas já vinham de uma prática similar. Agora, estamos estimulando a continuidade dessas práticas e a aproximação da vizinhança, com um troca-troca de mudas, receitas e xaropes.
Mobilizadores COEP – Como a comunidade do assentamento está reagindo a este tipo de trabalho educacional? Ela participa e se envolve? De que forma?
R.: As pessoas se envolvem pelo prazer de ver os resultados, mesmo que isso tenha um tempo para se estabelecer: o tempo do crescimento das plantas. É interessante, pois o tempo urbano é da correria e a jardinagem tem o tempo das estações, das lunações e temos que esperar para ver o que acontece com as plantas. É outra dimensão.
É um trabalho ainda recente, mas esperamos envolver a comunidade e disseminar estas ideias. O método – inspirado a partir de leituras e vivências dos mestres Paulo Freire, Bill Mollison, Lucia Legan, Ademar Brasileiro e Clara Brandão; das Ongs Ingá, Flor de Ouro, Oca Brasil e Ecocentro IPEC – é da descoberta dos recursos disponíveis a cada momento, provocando rápida transformação com assimilação da idéia e da prática.
Mobilizadores COEP – Como podemos utilizar os alimentos de forma a torná-los aliados para o desenvolvimento de uma vida mais saudável e mais produtiva?
R.: Os alimentos de origem vegetal: frutas, verduras, flores, temperos têm princípios funcionais, curativos. Têm cheiros, cores, sabores verdadeiros. Se conseguimos transformar o paladar que está ficando também alterado por uma alimentação altamente processada e artificializada, estaremos oferecendo ao corpo mais nutrientes.
As atividades de jardinagem e de paisagismo alimentar também fazem com que as pessoas voltem a utilizar melhor seu corpo, se alongando, se abaixando, tomando sol. Rompem a doença do sedentarismo com uma atividade extremamente prazerosa e revitalizante.
Mobilizadores COEP – O que é importante fazer para que as comunidades adotem alimentação mais variada e criativa, valorizando os alimentos típicos de sua região? Pode citar exemplos?
R.: É importante colocar a mão na terra e na massa, fazer refeições junto, demonstrar na prática as delícias que estão disponíveis ou que podem se tornar disponíveis. Por exemplo: numa comunidade, uma senhora tem no seu pátio tomate de árvore. Passamos a utilizar os tomates em comidas na cozinha comunitária e o grupo reaprendeu a utilizar essa planta.
Em outro momento, utilizamos mamões verdes para uma geléia com coco e ficou uma delícia. Colhemos butiás e fazemos suco. Batemos maracujás com cenoura para suco e fazemos maionese de abacate, colhemos os chuchus e fazemos saladas ou doce. Quando se tem a disponibilidade dos recursos, torna-se mais fácil criar com eles. Esse movimento tem o intuito de envolver mais pessoas para que se tenha esses recursos disponíveis e possamos estimular este tipo de alimentação. Algo do tipo que ‘essa moda pegue’, resgatando o gosto pelo prazer da jardinagem.
Eu me tornei uma apaixonada por isso através de amigos que têm a maestria da jardinagem, como Ademar Brasileiro – Mago Jardineiro de Curitiba, Marco Krug, artista, designer, paisagista, doRecife (PE), o pessoal do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), em Pirenópolis (GO); os jardins da Humaniversity, na Holanda. Todos são movimentos de resgate da relação do homem com o meio ambiente ao seu redor.
Entrevista para o Grupo de Combate à Fome e Segurança Alimentar
Fonte: http://www.mobilizadores.org.br/coep/publico/consultarConteudo.aspx?TP=D&CODIGO=C201071413927593

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Estamos todos ficando vegetarianos

Estamos vivendo outros tempos, tempos de mudanças, tempos de crise de paradigma e uma das evidências destas transformações é a modificação na percepção do ser humano sobre a natureza e sobre os animais.

Como eu sou vegetariana há mais de 20 anos percebi que alguma coisa estava acontecendo ao perceber que muitos estavam tornando-se vegetarianos. Como sou também psicóloga e socióloga resolvi acompanhar isto de perto e comecei uma pesquisa que está em fase de análise para saber mais dados sobre os vegetarianos. Como eu queria também que todos tivessem acesso a estes dados criei um cadastro de vegetarianos, o Cadastro-Veg, que é um projeto que está sendo bem recebido pelos vegetarianos. A partir da pesquisa e da minha participação em grupos de vegetarianos fica muito evidente que há hoje em dia muitas pessoas que não querem mais que os animais sejam objeto de consumo, já que é esta a principal motivação que têm levado não somente jovens, mas também pessoas mais velhas, a mudarem de hábitos. A grande maioria dos vegetarianos respeita e gosta de animais e não os quer na mesa, nem no vestuário, nem em cosméticos ou em nada que signifique seu sacrifício e muitos deles são ativistas como eu, contra a exploração animal. A maioria dos registrados compreendeu e participa de forma exemplar da proposta e têm colocado o nome completo e até dados mais pessoais para mostrar que são pessoas reais e não alguém inventado. Com isto estão erguendo uma bandeira em prol da libertação dos animais e ratificam esta tendência com palavras libertárias ou manifestações de amor aos animais em seu perfil.
Ainda assim o Cadastro está só começando e há muito para elaborar, desenvolver e melhorar. Como eu tenho visto cada vez mais adeptos do vegetarianismo e também pessoas querendo ser vegetarianas e nem sempre conseguindo, criei uma nova classificação que é o “aliado” e as categorias “em transição para” (vegano ou vegetariano). Todas as categorias mostram que há um movimento na direção do veganismo ou libertação dos animais e é isto que eu queria saber e também mostrar. Pode até se pensar que se o mundo fosse mais vegano (com possibilidades de opção de produtos sem nada de origem animal), muitos já teriam aderido a esta filosofia. Depois foi criando uma rede social para aqueles que também queriam interagir: a Rede Social do Cadastro-Veg que permite interação, numa espécie de Orkut vegetariano.
Agora vêm as fases seguintes que é aprimorar, traduzir para o inglês e implementar a rede e mostrar esta realidade para todos. Faz parte de o projeto possibilitar que o comércio, serviços e mesmo os políticos saibam que há hoje uma grande mudança cultural que JÁ está afetando muitas áreas da sociedade. E o Cadastro-Veg é prova da mudança de paradigma da qual somos porta-vozes: a idéia de que devemos ampliar a noção de respeito e dignidade aos animais. E este é o significado do Cadastro dos Vegetarianos, mapear e incentivar esta transformação.Fica aqui o meu convite para que outros participem deste projeto, mesmo como aliados, dando mais cor e significado a esta idéia. Participem e divulguem o cadastro e esta proposta.

Eliane Carmanim Lima, idealizadora do Cadastro-Veg.

Veja outros detalhes também aqui.