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domingo, 2 de outubro de 2011

O que fazer com os peixes? ou ‘Cusparadas & assuntos-tabu’

Linkfarra do peixe

“Mantêm você dopado com religião, sexo e TV / E você se acha tão inteligente, incomum e livre” – John Lennon, em ‘Working Class Hero’

por Marcio de Almeida Bueno

Quando se diz ‘Semana da Pátria’, são dias para homenagear e bater palmas à Pátria, quando é ‘Semana Santa’, significa uma seqüência de dias sagrados para os católicos, etc. Ou seja, a favor do assunto em questão. Mas quando o Governo Federal promoveu em setembro último a Semana do Peixe, era o contrário. Incentivo ao consumo de ‘pescado’, naquela conversa de vida saudável – termo que abrange de tudo, até idéias opostas.

Mas o ponto é que o peixe – citado aqui para fins de clareza e economia de espaço, já que o material oficial da campanha do Ministério da Pesca incluía camarão, siri e outros ‘frutos do mar’ – ganhou o carimbo de comidinha leve, saudável e não-carne. Já é piada corrente a frase ‘não como carne, só peixe’, ou os auto-intitulados vegetarianos, por só comerem… aquele animal que vocês já sabem. Peixe não tem sangue, peixe tem sangue frio, peixe não sente dor, peixe tem consciência coletiva, peixe é burro, Jesus comia peixe – todas essas frases-clone são xerocadas de boca em boca, babadas, e entraram na gaveta do senso-comum. Quem não der essa resposta na hora da prova, valendo nota, ganha zero da sociedade.

Na obrigação de sempre compartimentar o universo, a humanidade divide os animais entre úteis e nocivos, comestíveis ou não, alvos de amor ou tiro. Essa contabilidade vem desde a Bíblia. Em Levítico, 11, há o trecho “…de todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis. Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação. Ser-vos-ão, pois, por abominação; da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadáver… Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra, para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer”.

O estalo do chicote que chegou até aqui, a fazer doer a bunda dos defensores dos direitos animais, é que temos que lidar com pessoas, ditas esclarecidas, que não comem carne, só peixe. Que jejuam na Sexta-feira Santa, comendo só peixe. Jesus comia peixe. Que tornaram-se vegetarianas por consciência, então agora só comem peixe. Que estão preocupadas com questões de ecologia anal, então optaram por comer só peixe. Que já refletiram sobre a – própria – saúde à mesa, então só trituram ‘pescado’ em seus dentes não-carnívoros.

E mesmo entre os que estão na causa animal, poucos pensam na morte dos peixes, a sério. Não a morte como estatística, como violência gráfica, mas o instante da morte. O momento de empacotar para sempre. Pois teoricamente, e bota boa-vontade minha nisso, os demais animais para consumo têm um fiapo de consideração legal em relação ao instante da morte – esta situação que está além de nossa vontade, infelizmente. Aviso aos chato/as que só conseguem chegar ao orgasmo quando apontam para alguém e gritam ‘Joga pedra na Geni! Ela é bem-estarista! Ela é boa de cuspir!’, que permaneço a salvo de suas cusparadas amargas.

Quando a WSPA – cusp! cusp! – fala de abate humanitário de peixes, é claro que nenhum abolicionista permance quieto na cadeira. Óbvio, e não precisamos discutir isso, combinado? Combinado. O ponto que levanto é que a maioria das pessoas, essa gente aí fora, mandando mensagem via celular e subserviente por opção – dá risada. Sonoras risadas. Peixes? Ahahahahhaha. E ainda cutuca o cidadão ao lado, para rir também.

Ou seja, os peixes estão entre as ondas e os rochedos, para usar uma metáfora apropriadamente clichê. Nem se pode discutir sua morte – inevitável, já que o mundo não será vegano a partir da semana que vem, infelizmente – nem se pode discutir sua morte. Percebem o paradoxo? Não se pode discutir a morte de peixes, e também não se pode discutir a morte de peixes. Não, eu não escrevi errado, é isso mesmo. Sutil, mas o tabu é esse.

O cidadão médio repassa aos conhecidos aquele clássico email do festival da matança de baleias na Dinamarca, acho que o assunto é ‘Fw: Vergonha Mundial!!! Repassem! Joguem pedra na Geni!!!’. Poucos fazem o hiperlink com a sangueira que foi genesis de sua refeição. Incluindo o tal peixinho grelhado, recomendado pelos cardiologistas.

Sim, eu sei que baleia não é peixe, nem morcego é inseto, como pensa o Calvin.

Lembrei também de uma recente ‘pescaria de protesto pró-Xingu’ – novamente a ecologia mostrando a língua para os direitos animais. A caça de peixes como algo lúdico, puro, natural, Robinson Crusoé, etc. Quero dizer que o especismo vai se enraizando em todas as invaginações do sistema, ao ponto de fazer crer às multidões que peixe ‘não é carne’. E nem mesmo tudo que está na água é comida – não por nojo, mas por peninha. Como quebrar essa muralha que parece crescer junto com o aumento populacional? Como resolver essa equação de saber que os peixes seguirão sendo mortos por asfixia para o consumo humano, mas sem perder o tempo abolicionista resolvendo os nós bem-estaristas?

Não tenho resposta pronta, ainda – até porque no meio dessa guerra da humanidade contra os animais, preciso estar atento a eventuais cusparadas.

Fonte: ANDA

terça-feira, 25 de maio de 2010

Abate humanitário

Sérgio Greif - mailto:sergio_greif@yahoo.com




O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário?



De acordo com certa definição, abate humanitário é o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais que serão abatidos, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorí fico.



Humanitário . . . bem-estar . . . palavras muito fortes e que não refletem o que realmente querem dizer. Termos como “humanitário” e “bem-estar” deveriam ser aplicados apenas nos casos em que buscamos o bem do indivíduo, e não para as situações em que procuramos matá-lo de alguma forma.



Quando enviamos ajuda humanitária à Africa não estamos enviando recursos para que os africanos possam se matar de uma forma mais rápida e menos dolorosa. Não estamos pensando: “Bem, aquele continente vive na miséria, cheio de fome, doenças e guerras, vamos resolver isso matando-os”. Ajuda humanitária significa alimentos, água, remédios, cobertores . . . intervenções realmente em benefício daqueles indivíduos.



Quando falamos em bem-estar social, bem-estar do idoso, bem-estar da criança, não estamos pensando em outra coisa senão proporcionar o bem a essas pessoas. Jamais pensamos em métodos de matá-los com menos sofrimento, porque isso seria o contrário de bem-estar, seria o contrário do que consideramos humanitário.



Por isso, quando escutamos alguém falar em “abate humanitário”, isso soa como um contra senso. A primeira palavra representa algo que vai contra os interesses do indivíduo e a segunda encerra um significado que atende aos seus interesses. Igualmente, a idéia de “bem-estar de animais de produção” é um contra senso, pois a preocupação com o bem-estar implica em preocupar-se com a vida, e não visar sua morte ou exploração de alguma forma.



Essas duas idéias - abate e humanitário - só se harmonizam quando a morte do animal atende aos seus próprios interesses, como no caso em que o animal padece de uma enfermidade grave e incurável e a continuidade de sua vida representa um sofrimento. Nesses casos, a eutanásia, dar fim a uma vida seguindo uma técnica menos dolorosa, pode ser classificada como humanitária, e uma preocupação com o bem-estar.



As organizações e campanhas que pregam pelo abate humanitário alegam que esse é um modo de evitar o sofrimento desnecessário dos animais que precisam ser abatidos. Mas o que é o “sofrimento necessário” e o que diz que animais “precisam ser abatidos”?



O abate de animais para consumo não é, de forma alguma, uma necessidade. As pes soas podem até comer carne porque querem, porque gostam ou porque sentem ser necessário, mas ninguém pode alegar que isso seja uma necessidade orgânica do ser humano.



Porém, se comer carne é hoje uma opção, não comê-la também o é. Se uma pessoa sinceramente sente que animais não devem sofrer para servir de alimento para os seres humanos, seria mais lógico que essa pessoa adotasse o vegetarianismo, ao invés de ficar inventando subterfúgios para continuar comendo animais sob a alegação de que esses não sofreram.



A insensibilização que antecede o abate não assegura que o processo todo seja livre de crueldades, especialmente porque o sofrimento não pode ser quantificado com base em contusões e mugidos de dor. Qualquer que seja o método, os animais perdem a vida e isso por si só já é cruel.



Caso todo o problema inerente ao abate de uma criatura sensível se resumisse à dor perceptível, matar um ser huma no por essa mesma técnica não deveria ser considerado um crime. Caso o conceito de abate humanitário fizesse sentido, atordoar um ser humano com uma marretada na cabeça antes de sangrá-lo e desmembrá-lo não seria um crime, menos ainda matá-lo com um tiro certeiro na cabeça.



Está claro que a idéia de abate humanitário não cabe, e nem atende aos interesses dos animais. Mas se não atende aos interesses dos animais, ao interesse de quem ele atende?

A questão é bastante complexa, porque envolve ideologias, forças do mercado, psicologia do consumidor e política, entre outros assuntos. O conceito de abate humanitário atende aos interesses de diferentes grupos (pecuaristas, grupos auto-intitulados “protetores de animais”, políticos, etc.) não necessariamente integrados entre si.



Pecuaristas tem interesse no chamado abate humanitário porque ele não implica em gastos para o produtor, mas investimentos que se revertem em lucros. A carne de animais abatidos “humanitariamente” tem um valor agregado. O consumidor paga um preço diferenciado por acreditar que está consumindo um produto diferenciado. Possuir um selo de “humanidade” em sua carne significa acesso a mercados mais exigentes, como o europeu. Além disso, verificou-se cientificamente que o manejo menos truculento dos animais reflete positivamente na qualidade do produto final, portanto, mudanças nesse manejo atendem aos interesses do pecuarista pois melhoram a produção e agregam ao produto.



Os chamados protetores de animais tem interesses no abate humanitário, mas não porque este é condizente com o interesse dos animais. Em verdade esses “protetores“ não se preocupam com animais, talvez sim com cães e gatos, mas não com animais ditos “de produção”. Esses “protetores de animais” não os protegem, eles os criam, depois os matam e depois os comem. Eles podem não criá-los nem ma tá-los, mas certamente os comem e mesmo quando não o fazem por algum motivo, não se opõe a que outros o façam.



“Protetores de animais” lucram com o conceito de abate humanitário, pois isso lhes rende a possibilidade de fazerem parte do mercado. Há entidades de “proteção” animal que se especializaram em matar animais. Sob a pretensão de estarem ajudando aos animais, elas mantém fazendas-modelo onde pecuaristas podem aprender de que forma melhorar sua produção de carne, leite e ovos e de que forma matar animais de uma maneira mais aceitável pelo ponto de vista do consumidor comum. Podem também lucrar servindo como consultores em frigoríficos.



Simultaneamente, essas entidades fazem propaganda no sentido de convencer o consumidor de que todo o problema relacionado ao consumo de carne encontra-se na procedência da carne, na forma como os animais são mortos, e não no fato de que eles são mortos em si. A fórmula é mu ito bem sucedida, pois essas entidades acabam gozando de bom prestígio entre pecuaristas e consumidores comuns, não se opondo a quase ninguém. Políticos vêem na aliança com essas entidades a certeza de reeleição, e por isso elas contam também com seu apoio.



Exercendo seu poder para educar as pessoas ao “consumo responsável” de carne, essas entidades não pedem que as pessoas façam nada diferente do que já faziam. Elas não propõe uma mudança de fato em favor dos animais, pois os padrões de consumo da população mantêm-se os mesmos e os animais continuam a ser explorados. A diferença está no fato de que essas campanhas colocam a entidade em evidência. A entidade se promove, deixando a impressão de que ela faz algo de realmente importante em nome de uma boa causa. Dessa forma as pessoas realizam doações e manifestam seu apoio, ainda que sem saberem ao certo o que estão apoiando.



Com a carne abatida de forma “hum anitária”, o consumidor se sente mais a vontade para continuar consumindo carne, pois o incômodo gerado pela idéia de que é errado matar animais para comer é encobrida pela idéia de que, naqueles casos, os animais não sofreram para morrer. E o pecuarista lucra mais porque pode cobrar um preço maior por seus produtos, bem como colocar seus produtos em mercados mais exigentes.



De toda forma, os interesses desses grupos não coincide com os interesses dos animais, e por esse motivo não faz sentido que esses grupos utilizem nomenclaturas tais como como 'bem-estar' e 'humanitário' , que podem vir a dar essa impressão.



Entidades que promovem o abate humanitário não protegem animais, mas sim promovem sua exploração. Elas estão alinhadas com os setores produtivos, que exploram os animais e não com os animais. Se elas protegessem animais trabalhariam pelo melhor de seus interesses. Seriam eles mesmos vegetarianos e não consumido res de carne. No entanto, adotando sua postura e sua retórica, não desagradam a praticamente ninguém, e dessa maneira enriquecem e ganham influência.



Entidades que realmente promovem o bem dos animais se esforçam em ensinar às pessoas que animais jamais devem ser usados para atender às nossas vontades. Elas devem se posicionar de forma clara a mostrar que comer animais não é uma opção ética, e que não importa que métodos utilizemos de criação e abate, isso não mudará a realidade de que animais não são produtos e que o problema de sua exploração não se limita à forma como o fazemos.



Ainda que uma campanha pelo vegetarianismo provavelmente conte com menos popularidade e menor adesão da população, até porque isso demanda uma mudança verdadeira na vida das pessoas, certamente uma campanha nesse sentido atende ao interesse real dos animais.



Ainda que reconhecendo que abater animais com menos crueldade à © menos ruim do que abatê-los com mais crueldade, repudiamos que o abate que envolve menor crueldade seja objeto de incentivo. Eles não deveriam ser incentivados, premiados, promovidos ou elogiados, porque um pouco menos cruel não é sinônimo de sem crueldade, e só porque é um pouco mais controlado não quer dizer que é certo ou correto.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Você é útil ao planeta ou nem a si mesmo?

Respire fundo, assista e divulgue. Isto foi feito com muito amor e dedicação:



1) http://www.youtube.com/watch?v=V-sSp6Iu36s&feature=channel


2) http://www.youtube.com/watch?v=JbEguA09KVI&feature=channel


AUMENTE O VOLUME E ASSISTA CONTINUAMENTE, PARA SE CONSCIENTIZAR DO PROFUNDO SIGNIFICADO DE CADA IMAGEM!



Além de olhar, os olhos veem!; os ouvidos ouvem e escutam, a mente sente o ar passar pelas narinas, percebe o corpo respirando, pensa, analisa. Então, a boca come, fala, o corpo age. Assim, somos responsáveis e donos de nossas vidas, de nosso presente, de nosso futuro. LGP

sábado, 19 de setembro de 2009

Abate Humanitário de Animais

Rildo Silveira Carvalho
Natural de Cruzília, MG, professor da Rede Municipal de Ensino de Caxambu, MG e Personal Trainner. Formado em Educação Física pela Unincor de Caxambu e Pós-Graduado em Fisiologia e Nutrição Esportiva pela Unincor de Três Corações.
Vegetariano há 18 anos e palestrante sobre o tema.
e:mail: rildosilveira@yahoo.com.br



Abate humanitário pode ser definido como o conjunto de procedimentos técnicos e científicos que garantem o bem-estar dos animais destinados ao consumo, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico.
Conceito esse, definido e estampado exclusivamente sob a ótica do lucro.
Tal processo envolve cuidados específicos no embarque, transporte, desembarque no abatedouro, acondicionamento nos galpões de espera, descanso e dieta hídrica, banho de aspersão, condução até a linha de abate, o atordoamento ou insensibilização e finalmente a sangria dos animais.
No transporte, o stress pode provocar contusões e morte.
As contusões afetam a qualidade da carcaça e a privação de alimento e água conduzem à perda de peso do animal.
O stress físico ocasiona a depleção do glicogênio muscular, resultando numa carne dura e escura.
Todos esses fatores afetam o bem estar do animal, mas é um pretexto para encobrir o mal estar daqueles que tiram vantagem do abate de animais: a perda econômica.
O descanso ou dieta hídrica é o tempo necessário para que os animais se recuperem totalmente das perturbações surgidas pelo deslocamento desde o local de origem até ao estabelecimento de abate.
Torna-se interessante o animal readquirir sua normalidade fisiológica, reduzir o conteúdo gástrico para facilitar a evisceração da carcaça e restabelecer as reservas de glicogênio muscular. Estando eles descansados, fornecem uma carne melhor, mais lucrativa, deixando aqueles que tiram vantagens do abate, mais calmos também.
O banho de aspersão foi adotado em substituição ao banho de imersão, evitando deslizamento ou quedas, não danificando a carcaça. As contusões devem ser mínimas, não por causa do animal, mas por melhorar a qualidade final do produto e gerando melhor economia.
A condução até a linha de abate deve ser executada de maneira menos estressante possível. As linhas de condução possuem a forma circular, facilitando sua locomoção uma vez que estes não conseguirão enxergar o que os está esperando à sua frente, avançando com mais facilidade.
São evitados o uso de porretes e objetos pontiagudos, que poderão danificar a carne, o couro e o lucro.
O atordoamento ou insensibilização, conforme o animal é feito por pistola pneumática de penetração, corte da medula ou choupeamento, eletronarcose, processos químicos e algumas vezes, marreta. Instrumentos esses, classificados como "humanitários"...
Finalmente a sangria, realizada pela abertura sagital da barbela com uma ou duas facas. Devido ao pH alto e ao grande teor protéico, o sangue tem uma rápida putrefação. Logo, a capacidade de conservação da carne mal sangrada é muito limitada. Além disso, constitui um problema de aspecto para o consumidor. Portanto, a eficiência da sangria é considerada uma exigência importante das operações de abate para obtenção de um produto de alta qualidade, com preços superiores.
O termo “abate humanitário” é uma bravata verbal criada por aqueles que lucram com essa prática.
É um discurso que expressa a preocupação com o bem-estar do animal, mas que na verdade esconde um sistema cujo único propósito é a economia, através de menores prejuízos.
A preocupação não é com o bem estar do animal, e sim com o maior retorno financeiro que deverá surgir em decorrência das menores perdas durante as operações de abate dos animais e a melhora na qualidade final do produto.
Como os eventos que se sucedem desde a propriedade rural até o abate do animal tinham grande influência na qualidade da carne e no seu preço final, implantaram uma operação tecnológica de alto nível científico, uma cientificidade para matar.
O termo "abate", significa o ato ou efeito de abater animais para o consumo.
O termo "humanitário" significa bondoso, benfeitor, aquele que é humano, que ama.
Abater e amar. Dois termos antagônicos para tentar justificar a industrialização da morte.
Ao tentar minimizar a transgressão pelo assassinato de milhões de animais, estamos desensibilizando as pessoas no tocante ao valor da vida, como se ao reduzir o sofrimento, nos isentamos de culpa.
Poderíamos então, dessa forma, criar a “pena de morte humanitária”.
Será ainda humanitarismo os animais nos matadouros cheirar, ouvir e, muitas vezes, ver o abate dos outros animais que estão à frente deles?
Estabeleceram o termo "carne ética" evitando proferirem "morte ética". E sendo o abate humanitário e a morte ética, porque não estampar as fotos internas dos matadouros nas embalagens? E alguém teria coragem de assistir ao abate industrial em série, ainda que dito "humanitário"?
Pressupõe-se, dessa forma, que os animais sejam “produtos” eticamente aceitáveis.
Criar animais para alimento, independente do rótulo, continua sendo uma atividade prejudicial ao meio-ambiente e um desperdício de alimentos que poderiam ser usados diretamente pelos seres humanos, a um preço muito menor que sua carne.
A criação de animais cuja única finalidade é a matança, ultraja as pessoas em sua dignidade, sendo cruel e extraindo todo o humanismo daqueles envolvidos, tanto no processo de produção quanto no de consumo.
Temos um caminho inteligente a seguir, o de racionalizar e nos tornarmos vegetarianos.
Ou banalizar e chamar a morte de “limpa”, mesmo sabendo do sofrimento de um animal para ser nossa vítima, as condições as quais nasceu, foi criado e abatido.
Ao desconsiderarmos tudo isso, estamos sendo indignos em nossa condição de humanos.
Morte “limpa” é uma fantasmagoria pregada por aqueles interessados em continuar essas práticas hediondas e lucrativas.
Os animais têm consciência da vida e por conseqüência, da morte também.
E os que afirmam o contrário, provavelmente não terão ambos.
O sistema capitalista atropela boa parte das pessoas e procura impor-nos um modo de vida padronizado, baseando e direcionado-nos ao consumismo. Desse modo, propuseram esse antagonismo esdrúxulo, o “abate humanitário de animais”, esperando que não reflitamos e, consequentemente, os empresários ávidos pelo lucro dessas práticas, não sejam questionados.
Esse mesmo capitalismo avassalador fomenta igualmente os meios de comunicação hoje em dia que pouca ou nenhuma crítica fazem aos assuntos relacionados à matança de animais. Comportam-se alheios e estáticos ao sofrimento deles, aos danos causados pelo consumo de carne, como doenças, escassez de água, poluição e a derrubada de nossas últimas florestas para a formação de pastagens e produção de grãos exclusivamente para alimentação animal.
Ao lobby dessa carnificina, interessa apenas que a população se torne mais alienada, de forma a não cobrarem as conseqüências dos animais serem continuamente explorados e tratados como máquinas, sem direito à defesa e dando cada vez mais, lucro a eles. Se essas verdades vierem a público, serão eles, e não a humanidade, que passarão fome.
Podemos, como fantoches, nos refugiar no comodismo da ignorância. Ou podemos, como verdadeiros seres humanos, refletir, exprimindo nossa vontade própria. Temos de impor nossa coragem dizendo a essas pessoas, que abate humanitário é o mesmo antagonismo que subir pra baixo. Ou descer pra cima, se eles assim preferirem.
Desejo um dia, que possamos integrar uma civilização menos mesquinha e mais altruísta. E se tivermos que ter nossas consciências manipuladas, que seja para difundir esses ideais de liberdade para todas as criaturas do mundo.
Um abraço, realmente humanitário, a todos.