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terça-feira, 4 de maio de 2010

Você é útil ao planeta ou nem a si mesmo?

Respire fundo, assista e divulgue. Isto foi feito com muito amor e dedicação:



1) http://www.youtube.com/watch?v=V-sSp6Iu36s&feature=channel


2) http://www.youtube.com/watch?v=JbEguA09KVI&feature=channel


AUMENTE O VOLUME E ASSISTA CONTINUAMENTE, PARA SE CONSCIENTIZAR DO PROFUNDO SIGNIFICADO DE CADA IMAGEM!



Além de olhar, os olhos veem!; os ouvidos ouvem e escutam, a mente sente o ar passar pelas narinas, percebe o corpo respirando, pensa, analisa. Então, a boca come, fala, o corpo age. Assim, somos responsáveis e donos de nossas vidas, de nosso presente, de nosso futuro. LGP

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Seja feita a vontade de Deus - aos olhos de um Budista

Antes de mais nada, que se esclareça que há Budistas que acreditam em Deus e os há que não acreditam.

Acredito no poder do amor e do conhecimento que unidos, aprendi a chamar de Sabedoria.

No Budismo aprendi que ao querermos o que não temos, ou a querermos nos livrar do que temos contra a vontade, sofremos.

Há a dor física e há a dor mental e há também as duas juntas. Querendo nos libertar do sofrer, podemos começar a nos libertar das dores mentais. As há oriundas do querer e do rejeitar e as há também oriundas da moralidade ferida, o que ocorre quando ferimos a alguém e nos damos conta do que fizemos. Mas não vou adentrar na dor moral, ao menos no momento. Vou falar mais da dor do querer e não ter e da dor do ter e rejeitar. Principalmente, por ora, vou falar da dor do querer e não ter. Senão, vejamos.

Os olhos vêem algo e como consequência disso, surge a consciência visual. Os processos mentais analisam o que é visto e então esse algo é classificado como belo, feio ou indiferente. A seguir, surge o desejo de se ter, se rejeitar esse algo. Pode surgir também um estado de indiferença quando esse algo não se encaixa como desejável ou rejeitável, caindo na classificação de indiferente. O mesmo se dá com o que os ouvidos percebem, com o que a pele percebe, com o que a língua percebe. Assim, surgem os desejos e rejeições puramente materiais. No entanto, há mais.

Temos a capacidade de percebermos pensamentos, sentimentos, poesia, beleza e feiura mentais às quais qualificamos como espirituais, como coisas d'alma.

Ao percebermos belezas espirituais em uma outra pessoa, surge o desejo de as termos. Queremos ter o outro. Quanto mais beleza espiritual vemos no outro, mais o/a desejamos. Desejar e não ter é sofrer!

Há ainda o amor. Amar é diferente de querer ter. Amar é querer que o outro seja feliz. Apaixonados, queremos ser felizes ao lado do outro/a. Amando, o/a queremos feliz.

Querer e não ter, como já disse acima, é sofrer. Ninguém gosta de sofrer.

Siddhatha Gotama, o Buda, nos deixou instruções que nos libertam do sofrer quando praticadas e antes de adentrar neste tema ocorre-me nosso velho e ocidental "seja o que Deus quiser"

Ao entrarmos em meditação, nos abstemoos de interferir diretamente. Ou seja, se estamos fazendo meditação por estarmos sofrendo e meditar alivia o sofrimento, isso não quer dizer que nossos desejos serão satisfeitos e sim que estamos doando nossa energia a Ele (isso para quem acredita em Deus) e então as coisas começam a acontecer de acordo com a vontade Dele. Em certas situações, a vida é mais fácil para quem acredita em Deus. Em outras, para quem acredita Nele sem que O compreenda, a vida é uma tortura infernal...

Bem, mas o que nos ensinou o Buda que pode nos ajudar a nos libertarmos do sofrer quando queremos ou rejeitamos algo?

Primeiramente o Buda nos aponta para que percebamos que tudo apresenta três características: 1- Impermanência, 2- Sofrimento, 3 - Impessoalidade.

Ao meditarmos observamos diversos fenômenos e todos eles estão imbuidos de impermanência, sofrimento e impessoalidade. Como assim? Vejamos.

Buda nasceu e viveu em uma região culturalmente muito desenvolvida para a época no norte da Índia e lá surgiu sua escola. No entanto, pessoas de outros países iam à Índia para aprender Budismo e levavam esse conhecimento para seus países. Isto fez surgir três escolas budistas principais, a Theravada - nativa da Índia, o Zen - nativo da China e o Budismo Tibetano. Note-se que todas as três escolas budistas ensinam basicamente a mesma coisa, ou seja, o caminho para a libertação do sofrimento que é o caminho para a Felicidade. Ensinam ainda as causas do sofrimento: egoísmo, ignorância e violência e dão o antídoto para a cura dessas causas do sofrer que são a Generosidade, a Sabedoria e a Moralidade, sendo a Generosidade a mais importante.

Na escola tibetana há uma triadição que também existe a seu modo no Brasil. Lá se constroem mandalas lindas e trabalhosas que em um dia festivo são destruídas. Aqui no Brasil há algo parecido em algumas cidades de tradição católica nas quais as ruas são pintadas com pétalas de flores e outros materiais que serão a dado momento destruídos pelos passantes. Nestas ocasiões experimentamos o ensinamento espiritual da impermanência, ou seja, tudo se acaba.

O conhecimento desta prática me inspira a que façamos de nossos relacionamentos amorosos uma bela mandala que um dia será desfeita, já que na melhor das hipóteses, um dia um dos cônjuges falecerá...Então, que essa vida a dois seja linda, ao menos, já que impermanente....

Voltando-se à meditação como instrumento para superarmos o sofrimento, vejamos: Estamos sofrendo de desejo por ter juinto de nós a quem amamos e que por indizíveis razões está distante. Está-se a sofrer! Ora, nossa atenção está voltada para a imagem que nossa mente tem dessa pessoa. Com a atenção nessa imagem surge o desejo. Não a temos, sofremos! Se, ao contrário, a atenção for deslocada para o fluxo de ar que passa pelo nariz, passa a surgir a percepção da sensação do ar tocando a mucosa do nariz. Enquanto a atenção for alí mantida, cessa a percepção da imagem mental da pessoa amada e desejada, cessa o sofrimento. Mantendo-se a atenção no fluxo de ar, surgem outros fenômenos. Veja que tudo se resume a fenômenos físicos, químicos, mentais, todos eles impregnados das três características: Impermanência, Sofrimento e Impessoalidade. Por quê impessoalidade? Porque são fenômenos frutos da física, da química, da matemática, da cibernética...

Continuando-se a manter a atenção no fluxo de ar, percebe-se já de pronto um relaxamento da musculatura esquelética. A respiração, conscientizada, melhora, se modifica. Um estado espiritual diferente, livre de cobiça, de ódio, de ignorância começa a se estabelecer. Ficamos mais felizes e podem observar, esse estado de bem estar passa a ser compartilhado por outros seres também, particularmente aaueles com os quais nos relacionamos, com aqueles com os quais temos vínculos afetivos.

Aqui, aqueles que não acreditam em Deus podem perceber como algumas coisas funcioam...Com esta prática, passa-se a caminhar ao conhecimento do que é Ele.

Contou-me um Budista que certa vez um homem mutio bom faleceu e por mérito adquirido através de inúmerás boas ações foi viver no Paraíso onde Ele vive. Viu muita gente boa lá e depois de algum tempo perguntou a um veterano do Paraíso: por favor, diga-me, afinal, aonde Ele está? Ao que lhe foi respondido, olhe para dentro de ti....

Comentários, críticas e perguntas podem me ajudar a refazer este texto de forma mais didática. Simtam-se à vontade. Escrevam.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Façamos de 2010 um Feliz Ano Novo. Podemos fazê-lo!

por Rafael Bán Jacobsen



> Sendo um físico teórico, um dos meus instrumentos de trabalho mais preciosos
> é a matemática. Por isso, com o tempo, apaixonei-me pelos números e, cada
> vez mais, enxergo neles uma beleza ímpar. Há ocasiões em que quase chego a
> duvidar de que sou um físico legítimo, pois a matemática envolvida nos
> problemas de pesquisa às vezes me fascina muito mais do que as questões
> físicas em si. Ao acompanharem meus trabalhos, alguns colegas, em tom de
> galhofa, dizem: “Olha, só posso parabenizá-lo por ter entrado para o time
> dos matemáticos puros.” Outros, mais austeros, aconselham: “Acho que você
> deveria perder menos tempo com a matemática e mais tempo com a física.” Mas
> eu sou teimoso e ainda acho que uma equação fala mais do que três bilhões e
> meio de palavras. A beleza dos números me seduz.
>
> Todavia, sou um caso quase isolado: a maioria das pessoas detesta lidar com
> números, torce o nariz para fórmulas, sofre engulhos só de ver um gráfico.
> Mas sigo convicto da verdadeira maravilha que os números representam. Não é
> fantástico perceber, embora não se saiba a razão, que qualquer número par
> pode ser escrito como a soma de dois números primos? Não é simplesmente de
> cair o queixo que uma mesma proporção esteja presente em fenômenos tão
> distintos quanto a multiplicação de indivíduos nas sucessivas gerações de um
> casal de coelhos e também em diversas medidas do corpo humano (a altura
> total e a medida do umbigo até o chão; a altura do crânio e a medida da
> mandíbula até o alto da cabeça; a medida da cintura até a cabeça e o tamanho
> do tórax; etc.)? Ou, mais fundamentalmente, não é desconcertante o fato de
> que um mesmo conjunto de símbolos, uma mesma construção lógica, que é a
> matemática, sirva bem a propósitos tão prosaicos quanto contar conchinhas na
> beira da praia mas também nos permita calcular há quantos bilhões de anos
> nosso universo existe?
>
> Sim, os números estão repletos de beleza, mas também podem ser extremamente
> cruéis. Há contextos em que a beleza dos números se esvazia por completo;
> então, a matemática já não é capaz de provocar qualquer sensação de enlevo.
> Ao contrário, nesses casos, a matemática torna-se capaz de trazer à tona
> tudo que há de pior em nós, seres humanos: a desesperança, a revolta, o
> ódio. Os números que descrevem o holocausto animal constituem um desses
> casos.
>
> Em 2003, com base nas estatísticas da FAO (Food and Agriculture Organization
> of the United Nations) sobre agricultura, o Secretariado da União
> Vegetariana Europeia, apresentou o número de animais mortos no mundo para
> consumo humano durante aquele ano. Os números foram estabelecidos a partir
> de relatórios provenientes de mais de 210 países, mas devemos levar em conta
> que alguns países e territórios não fornecem dados. Os números foram os
> seguintes:
>
> - Galinhas e frangos: 45 bilhões e 900 milhões
>
> - Patos: 2 bilhões e 260 milhões
>
> - Porcos: 1 bilhão e 240 milhões
>
> - Coelhos: 857 milhões
>
> - Perus: 691 milhões
>,
> - Gansos: 533 milhões
>
> - Carneiros, ovelhas, cordeiros: 515 milhões
>
> - Cabras: 345 milhões
>
> - Bois, vacas, vitelos: 292 milhões
>
> - Roedores: 65 milhões
>
> - Pombos e outras aves: 63 milhões
>
> - Búfalos: 23 milhões
>
> - Cavalos: 4 milhões
>
> - Asnos, mulas, machos: 3 milhões
>
> - Camelos e outros camelídeos: 2 milhões
>
> A matéria do Centro Vegetariano* sobre o tema alerta ainda que a soma de
> todos esses números fornece um total de mais de 50 bilhões de animais, sem
> ter em conta os animais aquáticos (peixes e crustáceos). Os números
> referem-se apenas aos animais abatidos nos matadouros. Excluem-se os animais
> de criação extensiva (geralmente para consumo doméstico), assim como os que
> são alvo da caça, difíceis de contabilizar por não haver qualquer tipo de
> controle. Certamente não estão incluídos nos números os desafortunados
> animais assassinados em rituais religiosos e tampouco os cães e gatos
> exterminados em sua globalizada Auschwitz particular, os famosos centros de
> controle de zoonoses. De tudo isso, só podemos depreender que a realidade é
> muito pior.
>
> Diante desses números, toda beleza se esvai, escorre feito o sangue dos
> inocentes animais mortos em nome de nossos vícios e de nossa ganância,
> restando, então, a carcaça exangue do puro horror. São dados antigos, mas
> basta olhar ao redor para perceber que as coisas não podem ter melhorado (e,
> nesse caso, mesmo que os números caíssem pela metade, a chacina ainda teria
> dimensões dantescas).
>
> Em um trabalho publicado em 2001, Luiz Antonio Pinazza, redator de pecuária
> e política agrícola da Revista Agroanalysis**, da Fundação Getúlio Vargas,
> joga um balde de água fria no otimismo vegetariano:
>
> *A formulação das tendências de consumo é investigada pelo The International
> Food Policy Research Institute (IFPRI), seguindo um modelo alimentar mundial
> em que se incluem dados originários de 37 países e grupos de países e 18
> produtos. Conhecido como Impact (International Model for Policy Analysis of
> Agricultural Consumption), o cenário do início dos anos 90 até 2020 prevê um
> aumento do consumo da carne e do leite de respectivamente 1,8 e 3,3% nos
> países em vias de desenvolvimento e de 0,6 e 0,2% nos países desenvolvidos.
> Ou seja, até 2020, em toneladas métricas, os países em vias de
> desenvolvimento consumirão mais 100 milhões de toneladas de carne e mais 223
> milhões de leite. *
>
> Resumo da ópera: o número de animais mortos só vem crescendo e vai crescer
> ainda mais. Se, em 2003, as estatísticas mais modestas apontavam 50 bilhões
> de vítimas, hoje, no final de 2009, estamos, certamente, encerrando um ano
> em que tal número foi superado e vamos receber, de braços abertos, um novo
> ano em que, mais uma vez, o recorde será batido. Ano novo, vida nova?
> Infelizmente, penso que não: ano novo, velhos números; ano novo, idênticas
> atrocidades. Um interessante testemunho do século XIX pode ajudar a ilustrar
> a constância do banho de sangue em que vivemos imersos.
>
> O romancista russo Leon Tolstói (1828-1910), por sua vez, levou a cabo a
> experiência à qual a maior parte de nós se recusa, aquela mesma experiência
> considerada pelo filósofo escocês John Oswald (1760-1793) como um alerta à
> sensibilidade natural do homem: Tolstói visitou um matadouro. O escritor,
> bem como qualquer vegetariano de qualquer outra época, estava acostumado a
> viver em uma sociedade erigida sobre a exploração animal. Já ouvira todas as
> razões antigas e conhecidas pelas quais, supostamente, matar animais para
> comer é aceitável e até natural, coisas como “Deus permite”, ou “todo mundo
> faz assim”. A respeito disso, escreveu ele:
>
> *Não existe mau cheiro, som, monstruosidade aos quais o homem não consiga se
> acostumar a ponto de deixar de ver, escutar e cheirar a aparência, o som e o
> odor do mal.*
>
> Tal convicção reforçou-se ainda mais com sua visita ao matadouro, descrita
> por ele nas seguintes palavras:
>
> *(…) na longa sala, já impregnada com o cheiro de sangue, só havia dois
> açougueiros. Um soprava a perna de um carneiro morto e batia no estômago
> inchado com a mão; o outro, um rapaz de avental emplastado de sangue, fumava
> um cigarro torto. (…) Depois de mim entrou um homem, aparentemente um
> ex-soldado, trazendo um jovem carneiro de um ano, preto com uma marca branca
> no pescoço, de patas amarradas. Este animal ele o pôs sobre uma das mesas,
> como se numa cama. O soldado velho saudou os açougueiros, que evidentemente
> conhecia, e começou a perguntar quando o seu patrão lhes permitia ir embora.
> O camarada com o cigarro aproximou-se com o facão, afiou-o na borda da mesa
> e respondeu que estavam de folga nos feriados. O carneiro vivo estava ali
> deitado, tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por sacudir
> nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que de
> costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a cabeça levantada; o
> açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do
> carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu, e o rabinho endureceu e
> parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a
> reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria, e o carneiro
> começou a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era
> horrivelmente revoltante. *
>
> Para nós, hoje, seria um alívio (ainda que um alívio questionável) descobrir
> que os matadouros de agora são menos “revoltantes” do que aquele que Tolstói
> descreve. A verdade é bem outra. A frieza com que os animais são mortos é
> exatamente a mesma. São diferentes apenas duas coisas: hoje, os animais são
> mortos em escala industrial, no que poderíamos de chamar de verdadeiras
> “linhas de desmontagem”, que contam com as mais bizarras tecnologias
> (esteiras com ganchos para suspender as vítimas, serras elétricas, tonéis de
> escalda etc.); além disso, os matadouros não param mais nos feriados –
> funcionam noite e dia, ininterruptamente, para atender a imensa e crescente
> demanda por carne. O que mudou, em suma, foram os números, muito mais
> grandiloquentes do que seria capaz de imaginar o mais megalomaníaco dos
> genocidas.
>
> Abro uma revista que assino e que acabo de receber em casa, uma publicação
> da comunidade judaica, e encontro mais uma matéria sobre os horrores
> perpetrados pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Descubro que, apesar de
> o número exato de pessoas exterminadas pelos nazistas nos campos de
> concentração ainda ser objeto de pesquisa e debate, as estimativas mais
> avantajadas apontam para 3.5 milhões de poloneses não-judeus, 3.5 milhões de
> poloneses judeus, 2.5 milhões de judeus de outras nacionalidades, 6 milhões
> de civis eslavos, 4 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos, 1.5
> milhões de dissidentes políticos, 800 000 ciganos, 300 000 deficientes, 25
> 000 homossexuais, 5 000 Testemunhas de Jeová, fornecendo um total de 22 130
> 000 pessoas (sim, mais de 22 milhões). Faço mais um rápido cálculo mental e
> começo a rir: esse número representa mirrados 0,04% em comparação com os
> tais de 50 bilhões de animais mortos a cada ano. Súbito, a imensa tragédia
> do holocausto adquire contornos de brincadeira de criança. Olho para a
> televisão e vejo uma repórter alarmada informar que, apesar da constante
> queda nos números, mais de 2 milhões de pessoas ainda morrem em decorrência
> da AIDS todos os anos. Faço uma ágil regra-de-três, descubro que esse número
> – 2 milhões – é o número de animais oficialmente assassinados em apenas 20
> minutos e caio na gargalhada. Aprimorando o ensaiado olhar de luto, a
> repórter passa à nova manchete, a qual ela própria define como “uma
> carnificina”: 38 mortos no feriado de Natal nas estradas federais de Minas
> Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Recuso-me a fazer qualquer conta sobre
> isso; naquele momento, a notícia soa-me completamente ridícula, algo que nem
> merece ser computado.
>
> Como disse, em certos casos, a matemática torna-se capaz de trazer à tona
> tudo que há de pior em nós, seres humanos, inclusive a frieza perante a
> desgraça. É quase impossível não ser sufocado por tal número – 50 bilhões!
> –, frente ao qual todas as misérias humanas parecem ínfimas, desprezíveis,
> negligenciáveis, assim como aqueles centésimos e milésimos após a vírgula
> que são dispensados quando, em um problema matemático, enunciamos a resposta
> final. Não acho bonito, não é isso o que desejo, mas a frieza dos números
> toma conta de mim. Viro um cubo de gelo. Insensível.
>
> É claro que a maneira mais decente de encarar esses funestos eventos, a
> matança de animais humanos e não-humanos, é pensar sobre o drama individual,
> sobre a experiência dolorosa de cada um deles, sobre a tortura física e
> mental que cada qual, intimamente, teve de suportar antes da morte. Quando
> resumimos (ou ocultamos) tudo isso através de números, deixamos de lado a
> real dimensão do drama e corremos o risco da insensibilização. É, de fato,
> uma pena que sejamos obrigados a conviver com estatísticas tão berrantes e
> macabras. E é ainda mais lastimável que, ao que tudo indica, essas
> estatísticas, no ano que se inicia, venham a ser ainda mais berrantes e mais
> macabras. Recuso-me, portanto, a festejar mais um ciclo de matança que se
> inicia. Enquanto todos estiverem fazendo a tradicional contagem regressiva
> para a chegada do novo ano, permanecerei calado. Minha contagem particular
> começará à meia-noite em ponto: um, dois, três, quatro, cinco… e vou
> contabilizando, em tempo real, os animais mortos nesse recém-nascido 2010.
> Mas a matemática, nessas horas, é implacável, e eu logo descubro ser
> impossível a tarefa: são mais de 38 000 assassinatos a cada segundo.
>
> Ao redor do mundo, o ano já se inicia com a tétrica ceia, repleta de corpos
> chamuscados sobre as mesas, modesto prenúncio de tudo que está por vir.
> Paradoxalmente, as pessoas desejam paz umas às outras, com as bocas cheias
> de nacos de carne. Tenho vontade de repreendê-las, “Tirem o cadáver da boca
> para falar!”, mas fico quieto. Penso novamente em Tolstói, que há muito já
> alertava sobre quão vãos serão todos nossos anseios de paz enquanto a
> violência fizer parte de nossos atos corriqueiros. Dizia ele: “Enquanto
> houver matadouros, haverá campos de guerra”. Haverá mesmo.
>
> Mais uma vez, os galináceos se salvarão, afinal ciscam para trás e,
> portanto, não é de bom agouro devorá-los em noite re réveillon; os porcos,
> no entanto, fuçam para a frente, e, por isso, tornam-se os defuntos mais
> cobiçados. O leitão da ceia é apenas um infeliz que se adiantou às
> estatísticas. Enquanto o porco fuça para a frente, fica para trás, bem para
> trás, perdendo-se na poeira da distância, qualquer sinal de escrúpulo ético.
>
>
> Um novo ano se anuncia. Vai começar tudo de novo...

Ops, aqui termina o que diz o autor do texto acima. No entanto, tenho boas notícias: Tudo isso pode ser mudado e com melhorias para nossa saúde física, emocional, social, etc. Clique aqui e leia as boas notícias que escreví há muito...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

TERRA, AMOR ETERNO A TI











A fixação que impede a quebra dos paradigmas individuais impede a aceitação do medo e, deixa o naufrágio acontecer; o náufrago é o homem robotizado e frustrado em sua essência.

- Chamem a alquimia interna à mesa para que haja a mudança real da consciência! Seta incita a comunidade ao resgate das culturas iniciais como a indígena, a africana, a oriental e outras.


Terra que meus pés pisaram, qual vôo de gaivota cambaleante.

Terra dos namoricos e das cubatas de zinco.

Terra das quitandeiras a apregoar:

a fuba, os cachos de banana, o jindungo...

Mulheres em seus multicolores africanos,

mulheres nas cores do sol em brasa,

mulheres do chalé português... mulheres.

Terra do imbondeiro, da velha mulemba, dos ipês, das amendoeiras...

Terra que ficaste vermelha de tanto sangue derramado,

vermelha de tantos ódios, de tantas dores...

Terra que choras a dor dos filhos na África,

em Portugal e por aqui...

Terra que um dia a ti voltei em rezas e canções.

Terra do barulhento ”frenesi” das batucadas,

Terra povoada de fantasmas e medos,

Terra povoada de arrepiantes histórias de feitiço e viço,

que a mãe-preta cantarolava aos meninos brancos...

Terra do idioma que aborta a torre de Babel,

quando o homem permite a palavra do coração.

Terra dos encantos em todos os cantos, em todos os pagos...

Terra das canções brejeiras que mostram a mesma alma,

em várias situações da experiência.

Terra, laboratório de Deus para a criação do paraíso!

- Terra, amor eterno a ti!


Ainda que o homem siga o curso da natureza e, se oriente pela razão dos apetites e bel-prazeres, a hora clama pela razão inspiradora, que impulsiona o homem ao amor e à veneração pela majestade divina-mãe de todos. Este amor de filho e mãe leva o ser humano a desenvolver em si e nos outros o respeito pela natureza.

A humanidade precisa promover a unificação de si mesma em prol de um sentimento único e real, sem violação da integridade de todos os ecossistemas. A tecnologia amorosa que trata a natureza como mãe, sob inspiração da mente intuitiva e divina no ser.


Fonte: Três Continentes, Um Só Amor de Lucette Morais