Mostrando postagens com marcador reciclagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reciclagem. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MAIS EXEMPLOS A SEREM SEGUIDOS

20/12/2010 - 11h12
TERRAMÉRICA - Escolas verdes florescem

Por Clarinha Glock*

Alunos do curso secundário em Porto Alegre participam de duas experiências educacionais destinadas a formar cidadania ambiental.

Rio de Janeiro, Brasil, 20 de dezembro (Terramérica).- Aprende-se a viver de maneira sustentável. Duas escolas de Porto Alegre colocam esse ensinamento na formação dos cidadãos do novo milênio. No Colégio João XXIII, o alarme pela gripe A/H1N1 provocou uma mudança. Para evitar o contágio, a direção substituiu, em 2009, os tradicionais bebedouros por outros que utilizam copos descartáveis. Mas alguns alunos começaram a usar os copos de plástico para brincar.

“Era um desperdício”, disse ao Terramérica a presidente do Grêmio Estudantil do João XXIII (GEJ), Gabriela Borges, de 15 anos. Assim, os estudantes sugeriram à direção a distribuição de copos de plástico não descartáveis. Hoje, cada aluno e cada funcionário contam com uma garrafa plástica permanente. Os 1.500 recipientes distribuídos gratuitamente conseguiram baixar de 3.500 para 250 o consumo diário de copos plásticos.

Fundado em 1964, com 915 estudantes e administrado por uma fundação criada pelos pais dos alunos, o Colégio pretende investir mais no projeto “O mundo passado a limpo”. “Queremos que nossos alunos se preocupem com as pessoas e com o meio ambiente onde vivem. Isto é, com o que acontece aqui ao lado, não apenas nas florestas”, disse ao Terramérica a subdiretora Maria Tereza Coelho. A escola já possuía uma horta e um sistema para produzir compostagem (adubo orgânico), e classificava o lixo.

No ano passado, um trabalho da terceira série do ciclo básico, “Biodiversidade: Conhecer para Preservar”, sobre identificação de espécies nativas e exóticas da área verde do Colégio, chamou a atenção da bióloga Camila Rezendo Carneiro e do engenheiro agrônomo Sérgio Luiz de Carvalho Leite, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A Universidade e o Colégio se associaram e, por meio de um curso de extensão, Camila e Sérgio orientam uma análise de espécies que os alunos realizam, e que será completada com um biomapa e um caminho ecológico.

Em 2011, será construída a maquete de uma cidade na qual serão valorizadas as ações ambientais, a ética e a cooperação, explica o professor de geografia, Artur Bergelt. Os prefeitos mirins serão eleitos pelos alunos, que deverão escolher, por exemplo, as prioridades em matéria de investimentos. A cidade está sendo projetada com ajuda de uma arquiteta, mãe de um aluno, e construída com material reciclado.

Ao mesmo tempo, a professora de ciências ensinará a construir aquecedores de água feitos com garrafas plásticas. Também haverá uma sala ecológica que reproduzirá práticas sustentáveis. A direção não quis informar os investimentos no projeto, e disse que foram feitas doações em dinheiro e material por parte de muitas pessoas, além do apoio da Universidade.

Outra escola é universidade e cidade ao mesmo tempo. Utiliza prédios reais, onde os alunos são eleitos prefeitos, vereadores e integrantes do Conselho de Justiça. Funciona desde setembro de 2009 no Colégio Israelita Brasileiro (CIB), também em Porto Alegre. Com 88 anos de história e 750 alunos, o CIB deu um salto qualitativo quando sua diretora, Mônica Timm de Carvalho, levou para a escola uma experiência que conheceu na cidade israelense de Tzfat: uma cidade-laboratório de 500 metros quadrados localizada em uma área subutilizada do colégio.

A “Ir Ktaná” (cidade pequena, em hebreu) é o resultado de um ano e meio de debates sobre um amplo projeto educacional. A construção se baseia no conceito de sustentabilidade, com telhados verdes, aberturas pensadas para otimizar a luz natural e aproveitamento da água da chuva. Ali estão a câmara de vereadores e a prefeitura, com um púlpito com vista para a Praça da Cidadania, onde funciona uma ágora (praça para realização de assembléias). Na Rua da Paz fica uma sinagoga, onde também se estuda filosofia. Na Passagem da Cultura existe uma biblioteca e um espaço para o teatro e exposições.

Seguindo pela Passagem do Futuro, chega-se ao Centro de Ciência e Tecnologia. Os produtos da horta são vendidos na EcoFeira. O banco maneja a moeda “irk” e financia pessoas jurídicas, como a organização não governamental Patrulha Eco Responsável, formada por meninos, meninas e adolescentes. Os alunos aprendem matemática, física e as demais disciplinas na prática, a partir dos empreendimentos da Incubadora de Projetos ou no supermercado. Na cozinha da Casa da Família, a louça é lavada com sabão feito com óleo reciclado. A rádio dos próprios alunos anuncia as novidades.

“É genial”, disse ao Terramérica Eduardo Soares Sussermann, de sete anos e aluno da primeira série. Segundo a diretora, “a escola é um espaço para descobrir e potencializar talentos”. A direção do CIB também criou a primeira Universidade Corporativa dentro de um colégio, um programa de formação permanente para que os professores se atualizem em temas variados, como gestão integrada de projetos e tecnologia aplicada à educação. Apenas em equipamentos, foram investidos US$ 34 mil, e a manutenção do projeto custa em torno de US$ 2.800 por mês.

* A autora é correspondente da IPS.

Crédito da imagem: Clarinha Glock/IPS

Legenda: Gabriela Borges mostra a garrafa que ajudou a reduzir o consumo de copos descartáveis.

LINKS

A terapia dos terraços verdes
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3219

Garopaba faz história ambiental
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3097

Poucos apostam em casas verdes
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=273

Cresce o interesse por Ecoaldeias na Argentina
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=2363

Colégio João XXIII de Porto Alegre
http://www.joaoxxiii.com/

Universidade Federal de Rio Grande do Sul, em português, inglês, espanhol, francês, alemão, japonês
http://www.ufrgs.br

Colégio Israelita Brasileiro
http://www.colegioisraelita.com.br/

Ir Ktaná
http://www.cidadelaboratorio.com.br/


Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


(Envolverde/Terramérica)


© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

MAS QUE PAÍS É ESTE?

     A literatura internacional tem uma célebre frase do personagem shakespeariano, príncipe Hamlet. Hamlet disse que havia algo de podre na Dinamarca. Bem, é certo que deve haver, nenhum país é perfeito. Mas, diferentemente do Brasil, a Dinamarca é um país com elevado nível de igualdade na distribuição da riqueza e muito bem conceituado nas questões saúde, assistência social e educação para seus 5 milhões de habitantes.
 
     Se pudesse parafrasear Hamlet em sentido interrogativo eu diria – Será que ainda há algo ou pessoas não podres no Brasil? Bem, é também certo que deve haver.

     Esta frase me surge agora, neste momento em que escrevo este artigo para publicá-lo em algum blog, ou quem sabe até criar um blog onde eu me inscreva como brasileira e como desejante de um país sério.

     Estou realmente indignada e envergonhada. Sinto vergonha de ser considerada cidadã de um país que as pessoas chamam de terra de traficantes, viciados, bandidos, políticos sem ética e corruptos até o fundo das calças e agora, hoje, pasma li sobre a frase que Boris Casoy está chamando de infeliz quando na verdade me parece muito mais uma frase que revela o que este homem, até ontem jornalista e articulista sério e comprometido com a verdade e com a igualdade brasileira (eu assim pensava) é realmente – um lixo.

     Vou explicar. O que este lixo faz ao iniciarmos 2010? Estando ele em TV aberta, observa uma gravação de dois ou mais garis desejando felicidades a todos em 2010. E nosso sério jornalista, digo, nosso lixo comenta com alguém de sua equipe algo mais ou menos assim: “Mas que merda. Garis desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros, o mais baixo grau da escala de trabalho. Depois disso, desculpa-se dizendo que fora uma frase infeliz. Infeliz é o povo deste nosso país que tem que conviver e as vezes até acalentar sonhos de que as pessoas são boas do ponto de vista social, são éticas do ponto de vista humano, são sérias e compromissadas do ponto de vista trabalho.

     Sou brasileira há muito tempo, 54 anos e foi neste país que criei meus filhos e enterrei meu pai e avós. Foi neste país onde existe uma escala de graus de trabalho...se houver algum economista por aí, que me indique onde ela está publicada para que eu possa ver em que grau estou. Se a pergunta for feita ao Casoy penso que ele responderá que estou muito próxima do grau dos garis. Sou só professora. E do alto dos meus braços e mãos manchadas de giz, eu também desejo felicidades aos bons brasileiros.

     Enfim, sinto-me cansada de tantas e tantas vergonhas, tanta corrupção e impunidade, tanta falta de humanidade e sensibilidade nos cidadãos brasileiros que mais deveriam ser tidos como exemplo.
E falam dos jovens. É, uma geração mais do que transviada, uma geração que nem se transvia pois não tem olhos para ver o que não existe para eles...exemplos, caminhos, esperança de viver além do lixo.

     Já que voltei ao lixo, uma boa pena para a frase “infeliz” poderia ser um ano de convivência com seus pares mais próximos.
Os lixeiros? Não, esses ou muitos desses estão anos-luz além do lixo Casoy. Ele deveria mesmo conviver com o lixo, com material em putrefação, com tudo que há de mais podre na humanidade insensível e antes de pedir desculpas pela frase, ir buscar bem dentro dele o lixo que deve ser posto para fora.

     Sou brasileira. Quero e me permito exigir um país sério.
Pensem comigo, me ajudem a pensar em como transformar isto em realidade. O conto de fadas acabou há séculos para nós.
Lixo deve conviver com lixo. Mas se houver alguém que possa juntar-se a mim nesta indignação extrema e pensar juntos como não mais sermos inocentes e enganados...estarei esperando para juntarmos forças e vontades.

KÁTIA REGINA ROSEIRO COUTINHO

# os anúncios desta página tem se mostrado interessantes. Dê uma olhada neles também #