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sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
QUEM SE BENEFICIA COM A DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA?
![]() A Amazônia se conecta a São Paulo de forma pouco sustentável, a convite de soja, madeira e gado. Investigar as cadeias produtivas dessas matérias-primas até sua chegada ao varejo foi o objetivo do 2º. estudo Conexões Sustentáveis: São Paulo-Amazônia, realizado pela ONG Repórter Brasil e pela Papel Social Comunicação e apresentado nesta quarta-feira, 23, no SESC Vila Mariana, em São Paulo. Os coordenadores do projeto, Leonardo Sakamoto e Marques Casara, explicaram que o primeiro estudo focou o escoamento de madeira para a indústria, principalmente para o setor siderúrgico; dessa vez, no entanto, o estudo foi mais longe e pôde chegar à cadeia do varejo. A investigação focou a madeira destinada à construção civil e à indústria moveleira e chegou até empresas bem conhecidas pelos paulistanos - das construtoras Tecnisa e SKR até a Tramontina, gigante das pequenas utilidades domésticas, passando ainda pelas Casas Bahia. No Brasil, 30% da extração de madeira ainda é ilegal. A sondagem da cadeia da soja detectou casos como trabalho escravo e uso de terra indígena, mostrando a Bunge na ponta paulistana da cadeia. Outro grande detectado foi o frigorífico JBS Friboi (Bertin). Ele não só aparece nas sondas da pecuária bovina, como também nas da madeira, usada na caldeira dos frigoríficos. As respostas das empresas estão na página do relatório na Internet: http://www.conexoessustentaveis.org.br/ . Para Sakamoto o estudo não poderia mais ser relatado em centenas de páginas – “só a mãe de quem escreveu aguenta ler um relatório assim”, brincou. Multimídia e animado, o relatório organiza a informação por setores e busca interessar ao consumidor final. Sakamoto lembrou que “o desafio é envolver camadas sociais que só agora estão tendo acesso ao consumo, que também precisa ser feito com consciência.” Esse mesmo consumo consciente foi solicitado às empresas identificadas no estudo como financiadoras de crimes sociais e ambientais. Marques Casara alertou que no estudo anterior a madeireira Sulmap já havia sido flagrada na cadeia criminosa. “As construtoras que compram da Sulmap sabem que estão comprando madeira ilegal”, conclui. “Se você compra de um produtor que pratica crimes ambientais, mesmo que a madeira seja de área legal, você está financiando a prática. A conta bancária é a mesma”, alega Sakamoto. Por isso, ele explica, as empresas que aderem ao pacto do Conexões Sustentáveis não barram áreas; barram fontes. “Boi anda”, alertaram os coordenadores do estudo durante a apresentação. A obviedade da frase na verdade detona a premissa de que a origem do produto é garantida pela área onde foi produzido. O problema é que uma mesma fonte pode produzir em áreas legais e ilegais: antes da comercialização, o produto das áreas ilegais são transferidos para as permitidas. É aí que a fria do desmatamento vira “madeira esquentada”. E o boi, anda – dessa vez rastreado pelo estudo. “Eu excluo os passivos da minha cadeia” é um conceito ilusório, argumentou o diretor da ONG Amigos da Terra Roberto Smeraldi, durante o debate que se seguiu à apresentação do relatório. Uma prova da ilusão, segundo ele, é que a maioria das empresas que respondeu ao relatório explicou suas compras como “uma falha, ora operacional, ora humana.” Para Smeraldi as compras não podem ser chamadas de falha enquanto não houver meios claros para conhecimento da origem dos produtos amazônicos. Da platéia, o advogado ambientalista André Lima pediu por aprimoramentos nas listas do Ibama e do trabalho escravo, que ainda não representam a realidade. Para Casara, a dificuldade de chegada das informações à outra ponta da cadeia produtiva não é apenas metodológica. “A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará tem uma quadrilha que frauda os esquemas de licenciamento e já foi flagrada no primeiro estudo”, denuncia ele, acrescentando que nenhuma atitude foi tomada até agora. “Precisamos mobilizar os governos do Pará e do Mato Grosso para que abram as caixas-preta da SEMA”, insistiu. Mas há por que ter esperança, conforme o diretor da Conservação Internacional Brasil, Valmir Ortega. “Antes as investigações da Polícia Federal se referiam a crimes de quatro anos atrás. Hoje elas se concluem em três meses, graças à informatização”, argumenta. Para Ortega, o fato de o Conexões Sustentáveis ter conquistado os pactos da madeira, soja e carne - cujos signatários se comprometem a exigir de seus fornecedores a certificação dos produtos - é uma prova de que temos o que comemorar.(Envolverde) (Agência Envolverde) | |
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Vanguarda Abolicionista realiza protesto contra a indústria de peles da China
| Fotos: Marcio de Almeida Bueno por Marcio de Almeida Bueno, jornalista Neste domingo, 20 de fevereiro, das 9h às 18h a Vanguarda Abolicionista e uma dezena de seus apoiadores estiveram realizando o tradicional protesto contra a cruel indústria de peles da China - a data é 13 de fevereiro, mas foi transferida em razão da chuva. Um stand com diversos banners foi montado no Brique da Redenção, ponto de maior concentração popular aos domingos, em Porto Alegre. Milhares de panfletos foram distribuídos ao público passante, esclarecendo que o Brasil exporta toda sua produção de peles de chinchila para a China, mesmo que no país não haja costume de usar casacos de pele.
Próximo ao meio-dia, diversos protetores se concentraram junto à barraca da VAL, para angariar adesões a um abaixo-assinado que pede justiça para o caso do pitbull queimado vivo em uma vila da Capital. O documento pode ser assinado em http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N6926. Populares interessados pela questão animal receberam impressos da Vanguarda Abolicionista e puderam manifestar sua posição através do abaixo-assinado proposto.
O dia teve céu nublado, temporal com chuva, calor e Sol forte, mas os ativistas seguiram no local, atendendo ao público que, chocado com as imagens reais da indústria peleteira, acorriam em busca de informações. Alguns também procuravam informações sobre o veganismo, e o clima de diálogo pedagógico foi a tônica do evento. Um jovem da Alemanha, integrante da Sea Shepherd, recebeu impressos do grupo alemão Vida Universal, e a candidata ao Senado nas últimas eleições, Vera Guasso, foi pessoalmente manifestar seu apoio aos ativistas.
O incidente do domingo ficou por conta de uma casal que circulava pelas proximidades com um poodle e uma plaquinha de 'vendo'. Abordados por protetores, deram justificativas mas saíram de forma abrupta - a poucos metros dali, uma placa da Prefeitura alerta que o comércio de animais é proibido. Foto: Zelia Cardoso Galeria de imagens
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sábado, 19 de fevereiro de 2011
Vanguarda Abolicionista realiza manifestação-relâmpago em zôo com cobertura da Band

Na manhã deste sábado, 19 de fevereiro, a Vanguarda Abolicionista e uma dúzia de colaboradores realizou uma manifestação-relâmpago junto ao Zoológico Palmira Gobbi, na Redenção, em Porto Alegre. A ação do grupo, como integrante da coalizaão 'Lugar de Animal é No Habitat Natural', foi de apoio à proposta de fechamento do local, por iniciativa da primeira-dama do Município, Regina Becker. Junto com outras 30 entidades, a Vanguarda publicara na semana passada a 'Carta de Apoio à Retirada do Mini Zôo da Redenção'.
A Band esteve cobrindo a atividade e gravando matéria no local, com exibição prevista no programa Band Cidade deste sábado. "A idéia é que os animais sejam levados para um santuário, sem barulho e visitação pública", esclareceu Fernando Schell, um dos fundadores da VAL. "No cárcere humano, a pessoa pode, um dia, ser libertada. Aqui, a libertação é só com a morte", apontou o ativista Naor Nemmen.Vanguarda Abolicionista realiza protesto anti-peles neste domingo, 20
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A Vanguarda Abolicionista realiza neste domingo, dia 20 de fevereiro - já que a data original, 13/02, teve chuva - seu tradicional protesto contra a indústria de peles da China, alinhada a grupos de todo o mundo, das 9h às 18h. O grupo vai instalar barraca no Brique da Redenção, em Porto Alegre, para exposição de banners, distribuição de materiais de conscientização e atendimento ao público. Quem deseja participar deve confirmar presença aqui, e é convidado a ler a reportagem 'Com quantas chinchilas se faz o casaco de pele mais cobiçado do planeta', como subsídio. Outras informações podem ser obtidas pelo 51-9164-3726. Em caso de chuva, o evento será transferido. |
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A LUTA CONTRA A FINANCEIRIZAÇÃO DE TUDO
![]() A economista Sandra Quintela discute desde a construção da CSA à dívida pública; do Haiti à crise ambiental mundial No Rio de Janeiro, megaprojetos de desenvolvimento estão sendo instalados a um alto custo socioambiental. O Brasil sofre com um modelo atrasado de desenvolvimento e com o crescimento galopante de sua dívida pública. Na América Latina, povos inteiros enfrentam as mais distintas dores. Assuntos diversos? Sandra Quintela, recentemente nomeada coordenadora regional da Rede Jubileu Sul, uma articulação de movimentos e ONGs de países do Sul, prova que não. Nesta entrevista, ela fala dos resultados da missão de entidades à região de Sepetiba para investigar os danos socioambientais da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). Aborda também o drama vivido pelo Haiti, as causas da dívida pública brasileira e as estratégias equivocadas de enfrentamento à crise socioeconômica global. Brasil de Fato – Depois da missão que foi à CSA, da repercussão que houve, está havendo avanço? Sandra Quintela – A missão foi um passo importante no envolvimento de outras organizações que conheciam a luta, mas não a realidade concreta. A Defensoria Pública acaba de ir até lá. Um grupo de pescadores de lá foi até Anchieta (ES), em solidariedade aos impactos da CSU [Companhia Siderúrgica do Ubu]. A Fiocruz está fazendo um seminário interno para envolver toda a instituição. Isso tudo é consequência da missão. Os dados que nós colhemos também serão mais um instrumento para dar visibilidade. Nós sabemos a realidade da região: grupos milicianos, associações controladas por eles, a empresa usando uma tática cruel de cooptação (promovem cursos de meio ambiente para formar a cabeça de professores, contratam gente para dialogar com a comunidade, criam telefone 0800). Eles vão na contramão de tudo o que está sendo discutido hoje, que é a economia de baixo carbono. O capital está se renovando, criando novas fronteiras de acumulação, com esse argumento do “capital verde”. E a gente, aqui, importando um modelo que a Europa não quer mais. A gente vinha acompanhando esses problemas há quatro anos, e existia um bloqueio midiático. Agora, parece que começou a sair bastante na imprensa. Isso pode reforçar a luta? Claro! Quanto mais as pessoas estiverem informadas, mais isso pode criar uma massa crítica. Os intelectuais orgânicos do Rio de Janeiro, e os artistas, deveriam estar mais envolvidos. Porque é o Rio de Janeiro que está em jogo. De um lado, constrói-se um polo siderúrgico-portuário-mineiro, e do outro lado um polo petroquímico. E a cidade no meio. Mas, pelo que você está dizendo, na Academia também não é muito fácil o diálogo. Não. É uma cegueira. É como se o Rio de Janeiro não se pensasse. A Academia aqui está pensando a Amazônia, o Nordeste, o mundo, e há poucos setores pensando o próprio Rio de Janeiro. E essa é a cidade, entre as grandes metrópoles, onde está mais em disputa o projeto do capital. Porque a gente está transformando-a, há algum tempo, em uma cidade-produto, uma cidade para ser vendida. O mundo nos conhece primeiro a partir do Rio de Janeiro. É um produto comercializado lá fora. E está acontecendo no estado todo. Tem também, por exemplo, o Porto do Açu. Tem o Porto do Açu no norte, onde também haverá uma siderúrgica para exportação. Completa-se uma cadeia. A CSA aqui, a siderúrgica do Açu e a CSU no Espírito Santo. Estamos com as três instaladas na costa, e todas se alimentando do minério de ferro de Minas Gerais. Vão se tornar Vazios Gerais. Eu queria que você falasse um pouco do modelo de desenvolvimento representado por esses projetos. O Brasil é o único país do mundo que reúne terras, água e luz disponíveis em grande quantidade. A riqueza mineral também é enorme – temos toda a tabela periódica. Então, o capital visa acumular o máximo. Nesses dez anos do século 21, explorou-se mais carvão mineral do que nos últimos séculos. Na Europa, eles agem diferente. Não têm mais planta lá – instalam aqui. É fácil ser consciente assim, deixando a parte suja para a gente. Na CSA, eles tiraram o emprego de oito mil pescadores e vão deixar dezenas ou centenas de trabalhadores com problemas de saúde. Isso tudo acontecendo com forte suporte financeiro do BNDES. Foi preciso capitalizar o BNDES criando títulos da dívida pública brasileira – e ele foi capitalizado em mais de R$ 180 bilhões. O governo toma emprestado no mercado internacional a uma taxa de juros altíssima, de 8% a 10%, e passa ao BNDES, que vai emprestar a uma taxa de 1% a 2% para a Vale, a Gerdau, a MMX etc. É uma lógica saqueadora – de recursos naturais, de força vital e de dinheiro público. As empresas beneficiadas – Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez – são uma caixa preta. Quem controla? São mesmo brasileiras? Tenho as minhas dúvidas. A gente vem trabalhando isso há mais de dez anos, a Rede Jubileu Sul. Buscamos provar que nós, do sul, somos os grandes credores da dívida social e histórica. Veja a lógica. O BNDES se capitaliza com títulos da dívida pública brasileira, e isso a gente vai pagar, porque quase 40% do Orçamento da União são para isso. É um escândalo. E não se fala disso. Os grandes temas do nosso projeto de país estão silenciados. E a dívida é o que financia esse modelo de desenvolvimento, que é uma via de mão dupla. Você se endivida para financiar esse modelo, e ele se mantém porque você tem que pagar a dívida. Você foi escolhida coordenadora regional da Rede Jubileu Sul. Em que isso muda a sua atuação? Agora eu tenho que estar mais vinculada a temáticas regionais. Em Cancún [onde se realizou a COP-16, encontro da ONU sobre mudanças climáticas], eu preparei toda a articulação com as redes regionais. Nós temos na região um grande patrimônio, que foi a campanha continental contra a Alca [Área de Livre Comércio das Américas]. Até 2005, era o maior espaço de articulação do continente. Hoje, muitas das organizações que fizeram a campanha continuam articuladas, seja na Aliança Social Continental, na Rede Jubileu Sul, no Grito dos Excluídos, na Marcha das Mulheres, na Via Campesina. A gente está sem uma agenda programática, uma bandeira de luta comum, que a Alca era. Acho que a luta comum agora é contra a financeirização de tudo o que se relaciona com a destruição do planeta. Você está querendo dizer que a solução que se está propondo para o aquecimento global é a quantificação financeira de tudo? É. Vou explicar. A crise que a gente vive na verdade é social, não é do capital. Porque o capital sempre se renova. Com a crise, de uma hora para outra surgiram trilhões. Até hoje não se sabe quanto. Fala-se em valores de 7 trilhões a 18 trilhões de dólares. De onde esse dinheiro saiu? Do Estado. A Grécia faliu. Portugal e Espanha estão falindo. Esses países tinham um modo de vida que foi absolutamente transformado, para se inserir na economia unificada europeia. Estão pagando a conta agora, com ajuste social, de uma sociedade que conheceu o Estado de bem estar social. Essa guerra cambial entre China, EUA e Europa pode se transformar numa disputa muito mais grave. Mas ninguém quer discutir isso. Estão dando o mesmo remédio que deixou o paciente enfermo. No entanto, eles estão criando outros mecanismos de desenvolvimento “limpo”. Por exemplo, a Alemanha se comprometeu a reduzir, pelo Protocolo de Kyoto, 5% de suas emissões de carbono. Se reduzir de 8% a 10%, ela tem o crédito para comercializar no mercado internacional os títulos do mercado de carbono. Se ela transfere uma planta para o Brasil – a CSA por exemplo –, ela pode negociar os títulos da poluição que deixou de fazer na Alemanha. Eles estão querendo quantificar até o pólen da abelha. Vai virar título. É mais dinheiro num mercado que já está transbordando de dinheiro fictício. Queria que você falasse um pouco de seu envolvimento com o Haiti. Nós, da Rede Jubilei Sul, começamos a trabalhar o Haiti em julho de 2004. O país foi primeiramente ocupado por Canadá, EUA e França, e depois veio a Minustah. Em 2005, fizemos a primeira missão ao Haiti. Já fizemos relatórios, vídeos, continuamos denunciando, para não deixar o Haiti ser esquecido. Algumas organizações silenciam por cumplicidade, por não querer se opor ao governo. Mas agora tem um dado novo. A população no Haiti está se revoltando contra a Minustah. Não aguentam mais. Quem vai ao Haiti diz que parece que o terremoto foi ontem. Os destroços permanecem. O Estado lá está completamente desmantelado. Três dias depois do terremoto, George W. Bush e Bill Clinton foram nomeados os grandes patronos do fundo para a reconstrução do Haiti. Isso não pode ser sério. Hoje, grandes ONGs disputam territórios. Os acampamentos são controlados por ONGs que não dialogam nem se interconectam. Está comprovado que essa bactéria, que trouxe a epidemia de cólera, foi trazida da Ásia. A gente está propondo um seminário, para o ano que vem, sobre os seis anos da Minustah. Nossa avaliação é negativa – não existem logros reais. Já foram gastos mais de 4 bilhões de dólares só para manter a Minustah. Não existe também nenhuma projeção de fim à ocupação? Quando eles ocuparam, o Colin Powel era secretário de Estado dos EUA. Ele falou que aquilo era para vários anos. A ONU disse que debatia a retirada, mas quando aconteceu o terremoto, decidiram que não podiam mais sair. A gente tem uma dívida histórica com o Haiti. Estamos vendo um país ser usado como laboratório de políticas de repressão, de criminalização da pobreza e de táticas de guerrilha urbana. Você já me contou que, através da Rede Jubileu Sul, tinha acesso a informações preciosas e que impressionava como ninguém comentava nada nos meios de comunicação. Sim. No Panamá, no meio do ano, por exemplo, houve grandes mobilizações, com vários presos. Era contra um pacotaço de leis, com onze itens, em que se proibia greves e manifestações e se aumentava os impostos. No Brasil, não saiu nenhuma linha. Agora mesmo, cinco camponeses foram assassinados em Honduras, por grupos paramilitares. Honduras já não é mais assunto. Na Guatemala, proibiram a mineração a céu aberto, o que foi uma grande vitória. Em Trinidad e Tobago ganhou uma mulher de esquerda. E o exército boliviano se declarou, agora, anticapitalista. Não é pauta, infelizmente. *Do Rio de Janeiro (RJ) **Publicado originalmente no site do Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/node/5641 (Envolverde/Brasil de Fato) | |
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Irmã Dorothy, Anapu e Belo Monte. Entrevista especial com Felício Pontes Júnior
![]() Há mais de seis anos, antes de ser assassinada por fazendeiros em Anapu, no Pará, a Ir. Dorothy Stang já temia pelas consequências que a Hidrelétrica de Belo Monte provocaria naquela região caso fosse aprovada. “Ela temia pelo impacto socioambiental e pelo dinheiro público que seria jogado fora em uma hidrelétrica que vai ficar parada em torno de quatro meses por ano sem gerar um quilowatt de energia”, contou o procurador do Ministério Público Federal Felício Pontes Júnior, em entrevista, por telefone, à IHU On-Line. Após o homicídio da religiosa, Pontes Júnior não deixou de lutar pelas principais causas defendidas por Dorothy, inclusive contra Belo Monte. Na entrevista, o procurador critica fortemente o Ibama, que concedeu licenciamento para o início das obras no rio Xingu. “O Ibama será o grande responsável por uma degradação sem precedentes na nossa história.” Pontes Júnior também segue acompanhando de perto a evolução do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, iniciado por Dorothy. “É o verdadeiro projeto de reforma agrária para a Amazônia.” Felício Pontes Junior é procurador da República junto ao Ministério Público Federal em Belém com atuação na área indígena, ambiental e ribeirinha, e é mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio. Confira a entrevista. IHU On-Line – Seis anos após a morte de Dorothy Stang, como o senhor analisa a situação de Anapu hoje? Felício Pontes Júnior – A população está organizada. Seis anos foram o suficiente para que se criasse uma organização muito forte. Há uma consciência de que o único desenvolvimento possível para a Amazônia, com relação à reforma agrária, é o que consegue conciliar o aumento econômico daquela população com a preservação do meio ambiente. É exatamente isso que o projeto da Ir. Dorothy previa. No último ano, o Pará se tornou o maior produtor de cacau do Brasil, exatamente por conta da contribuição das plantações de dentro do Projeto de Desenvolvimento Sustentável – PDS Esperança – da Ir. Dorothy. Para que haja plantação de cacau, você precisa ter a floresta em pé, o cacau precisa de sombra. Isso auxiliou muito no projeto que a Dorothy sonhava. Ela mesma levava as sementes de cacau para a floresta a fim de que os colonos pudessem plantar. Ainda há uma pressão muito grande dos madeireiros em cima daquela área. Até a morte da Irmã, os madeireiros tentavam atacar aquela área da floresta com papéis, títulos falsos. Depois, a estratégia mudou. Agora eles tentam infiltrar no assentamento trabalhadores de madeireiras como se fossem assentados, colonos da reforma agrária. Essas pessoas estavam tirando madeira dali, o último conflito ocorreu inclusive por causa disso. Aconteceu uma grande revolta, bloqueando estradas de acesso ao projeto PDS Esperança, parando até a Transamazônica. IHU On-Line – Que mudanças ocorreram nestes seis anos? Felício Pontes Júnior – É visível a mudança econômica na vida das pessoas que acreditaram no PDS Esperança. Vemos colonos da reforma agrária que chegaram lá sem ter “nem um facão amolado”, como eles mesmos dizem, e hoje estão motorizados. Têm veículos de carga, embora pequenos e usados, e motocicletas. Isso é uma prova evidente do desenvolvimento econômico que está acontecendo naquela região, graças ao projeto. O PDS está localizado a 50 quilômetros da sede da cidade de Anapu. O que se vê nestes 50 quilômetros é um rastro de miséria deixado por projetos de pecuária que não deram certo. As pessoas que se voltaram para o gado não conseguiram desenvolvimento econômico. O PDS Esperança é o verdadeiro projeto de reforma agrária para a Amazônia. Por isso é alvo de tanta cobiça por parte de fazendeiros e madeireiros. IHU On-Line – O que a Ir. Dorothy Stang diria dos atuais desdobramentos em torno do licenciamento de Belo Monte? Felício Pontes Júnior – Tive a oportunidade de conviver intensamente com a Ir. Dorothy durante os últimos cinco anos da vida dela. Essa era uma grande preocupação dela – temia que o Projeto Esperança fosse por água abaixo se Belo Monte acontecesse. Ela temia que não houvesse planejamento e estrutura suficientes para abrigar as pessoas que viriam para a região, principalmente em Anapu, Altamira e Vitória do Xingu, as cidades mais afetadas. Naquela oportunidade nós já tínhamos a informação de que Belo Monte não se sustentava do ponto de vista econômico. Quem conhece o rio Xingu, e Dorothy o conhecia muito bem, sabe que a vazão do Xingu é uma coisa impressionante entre a seca e a cheia. No período de cheia ela vai atingir 30 mil metros cúbicos de água por segundo, mas no período da seca é de apenas mil metros cúbicos por segundo. Isso demonstra que a propaganda do governo, que dizia que teríamos 11.000 megawatts de energia, é uma mentira. Inclusive na entrevista do presidente da EPE na semana passada ele confessou que teremos, no máximo, 4000 megawatts de energia. Depois de dez anos de conflito eles admitem que é uma hidrelétrica de porte médio, no que tange a geração de energia, e não de grande porte, como era propagado, embora os efeitos danosos sejam imensos. Tudo isso já havia sido denunciado por Dorothy Stang. Ela temia por estas duas coisas: pelo impacto socioambiental na região e pelo dinheiro público que seria jogado fora em uma hidrelétrica que vai ficar parada em torno de quatro meses por ano sem gerar um quilowatt de energia. IHU On-Line – Como o senhor analisa a atuação do Ibama no caso de Belo Monte? Felício Pontes Júnior – Pelo impacto desse licenciamento indevido, hoje podemos dizer que o Ibama é o maior violador das normas ambientais na Amazônia. É o que vai causar maior impacto sobre a região com esse licenciamento fajuto. Quando você percebe que existe a previsão de mais de 60 barragens nos rios da Amazônia, ou seja, em praticamente todos, não há outra afirmação a fazer. Há vários projetos grandes e prejudiciais na região amazônica, mas nenhum deles se compara a esses licenciamentos de hidrelétricas. O Ibama será o grande responsável por uma degradação sem precedentes na nossa história. Barrando os rios à maneira como está sendo feita, inventando licenças parciais e que não existem, o Ibama está tentando jogar com o governo federal, fazendo com que o fato esteja consumado. Para que quando as ações judiciais cheguem ao fim, a barragem esteja praticamente pronta. Será que algum juiz vai ter coragem de dizer: “Então vamos destruir a barragem?" Infelizmente, o Ibama se mostrou um órgão extremamente conivente com todas as barbaridades e atentados às leis que estão sendo cometidos pelo governo federal aqui na Amazônia. IHU On-Line – O que aconteceu na última audiência em Anapu, que diminuiu o clima de tensão do povo do PDS Esperança? Felício Pontes Júnior – Nessa audiência o povo do projeto teve um grande resultado que foi um compromisso, tanto do Incra como da Força Nacional, de estarem presentes na região de maneira permanente. O escritório do Incra em Anapu volta a funcionar de maneira muito mais estruturada e recebemos a promessa de que as forças de segurança estarão na região durante todo o ano. Essa foi uma grande conquista dos trabalhadores do PDS Esperança na audiência pública. IHU On-Line – Como é a vida nesse projeto hoje? Felício Pontes Júnior – Temos uma comunidade cada vez mais forte. A prova disso é a fundação recente de um sindicato de trabalhadores da agricultura familiar, pois não se sentiam representados pelo sindicato antigo. Mais ainda, do ponto de vista econômico, eles viram agora a necessidade de formar uma cooperativa. Quando se organiza um sindicato e uma cooperativa, mostra que está havendo um fortalecimento nos laços de trabalho, de amizade. Ir. Dorothy recebeu aquelas pessoas que eram excluídas, gente de todo o Brasil, expulsos de suas terras por grandes projetos, latifúndios. E essas pessoas tiveram de se agrupar, morar juntas sem nem se conhecerem, formar uma comunidade nova. Esse vínculo que não existia começa a se tornar extremamente forte. IHU On-Line – O que falta para o povo que era atendido pela Ir. Dorothy? Felício Pontes Júnior – A estrutura que o Incra dá aos assentamentos ainda não chegou de forma efetiva àquela região. Embora o órgão tenha se esforçado bastante, ainda não foi suficiente. Não temos, por exemplo, todas as casas do crédito habitação construídas, nem todos os recursos do crédito de fomento concedidos aos moradores. Muito foi construído somente com o suor e com o braço das pessoas que estão lá, com um apoio do governo que ainda não é integral, mas que já foi significativo se compararmos com outros assentamentos na Amazônia. Passo a passo, porém, todos estão percebendo que o assentamento tem progredido, mesmo que, a meu ver e ao do Ministério Público Federal, esse processo poderia ter sido mais rápido. Mas é visível a cada ano a melhora na qualidade de vida das pessoas que estão lá. IHU On-Line – E quais os próximos desafios para os integrantes do projeto? Felício Pontes Júnior – A preocupação do MPF naquela região é a presença da polícia. É isso que os assentados da reforma agrária pedem – que a polícia esteja presente e que não seja comprometida com fazendeiros e madeireiros da região. Tem de ser isenta. A polícia e Força Nacional precisam habitar Anapu, pois é um ano de consolidação do projeto. Além dos assentados, quem pede a presença da polícia lá é a Comissão Pastoral da Terra. É uma prova de que não temem, de que estão trabalhando dentro da legalidade. Se a gente conseguir que as forças de segurança estejam presentes naquela região, teremos uma superprodução de cacau, que tem um melhor preço, e de outras frutas que também foram plantadas lá. Isso fará com que alavanque ainda mais o desenvolvimento das pessoas que vivem naquela região, principalmente no PDS Esperança. IHU On-Line – Qual sua opinião sobre a postura do Judiciário no processo de julgamento dos assassinos da Ir. Dorothy Stang? Felício Pontes Júnior – A mobilização da imprensa nacional e internacional e dos movimentos sociais na Amazônia possibilitou que os cinco envolvidos no caso de Dorothy Stang fossem julgados e condenados. O que causa uma estranheza muito grande é que o principal deles, o que planejou a morte e contratou os demais, esteja solto até hoje, embora condenado a 30 anos de cadeia. Ele está solto exatamente por conta de uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que concedeu o direito de apelar em liberdade. Isso mostra que Judiciário ainda está muito longe do ideal de justiça que a população deseja. Vejo o judiciário extremamente distante, desassociado da sociedade. O mesmo acontece em relação a Belo Monte. Temos vencido ações judiciais no Pará, mas são suspensas no Tribunal Regional Federal de Brasília, que também tem uma postura extremamente distante da realidade. É um poder Judiciário extremamente político. Quando lemos algumas dessas decisões, percebemos que as pessoas que estão decidindo não têm noção do que pensa e o que quer a sociedade brasileira, principalmente a sociedade amazônica. Um judiciário que está fora da realidade brasileira, que se sente acima da realidade, é extremamente perigoso para o país, tanto é que Belo Monte recebeu o licenciamento mesmo com dez ações judiciais propostas, muitas favoráveis, mas suspensas. Porém, nós continuaremos fazendo a nossa parte, não vamos desistir. O que faz com que cada um de nós durma tranquilo aqui na Amazônia é o fato de não sermos omissos perante tanta injustiça. (Envolverde/IHU On-Line) | |
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Não coma boi! Coma...LENTILHAS
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A lentilha tem sido usada como alimento pelos humanos desde longa data. Os
restos arqueológicos mais antigos datam de 11.000 a.C. na Síria. Porém a
domesticação da mesma aconteceu a partir de 5.000 a.C. na região fértil do oeste
Asiático . Daí o cultivo se espalhou para o Nilo e Europa Central através do
rio Danúbio. A lentilha está associada com o começo da revolução agricola , que
foi iniciada com a domesticação do trigo , cevada , ervilhas e linho . A partir
da Idade do Bronze , a lentilha junto com o trigo e a cevada aparecerem como as
principais culturas da civilização Mediterranea. Na India , seu cultivo aparece
2.500 a.C. e no velho mundo , a lentilha atingiu sua atual importancia a partir
de 3.000 a.C. . Na América Latina foi trazida junto com os colonizadores. Ásia é
a região de maior produção ( 58% da área) seguida da região do norte da äfrica -
Oeste Asiático ( 37 % da área nos paises em desenvolvimento ). A lentilha é a
mais importante cultura em Bangladesh e Nepal , onde faz parte significativa na
dieta da população na ïndia , Irã , Turquia, Etiópia , China , Marrocos e
Paquistão , que são grandes produtores . Na América Latina , Argentina e Chile
são os maiores produtores.
Cultivo
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Clima: embora existam 5 espécies de lentilhas , apenas uma delas é cultivada.Por
ser uma cultura de clima ameno , gosta de períodos de frio e por isso, só pode
ser cultivada nos estados do sul do país. A Embrapa desenvoolveu variedades
adaptadas à região do cerrado. Esperamos que eventualmente o país possa ser auto
suficiente , por enquanto a maior parte da lentilha no comércio , é importada do
Chile ou Argentina.
Solo: Sendo uma leguminosa , não precisa de adubos nitrogenados , mas quando se
pretende iniciar a cultura em solo nunca planatdo com lentilha , é preciso fazer
períodos de seca , não gosta de solos ácidos e com alto teor de aluminio.
Uso Nutricional:
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As leguminosas são fontes mais baratas de proteína , comparadas com as proteinas
animais , além de serem uma boa fonte de sais minerais e vitaminas , com a
vantagem de reduzirem o nivel de colesterol e açucar no sangue.. São ricas em
aminoacidos lisina e deficientes em aminoácidos sulfurados como: metionina,
cistina etriptofano, é por isso que devem ser consumidas com cereais, que são
pobres em lisina mas têm quantidade adequada de aminoácidos sulfurados. Desse
modo, se produz um balanço adequado de proteinas. Nos países do Oriente, a
lentilha é consumida normalmente com trigo , produzindo um bom complemento
proteico , similar ao nosso arroz com feijão . A lentilha é um alimento para ser
consumido pelas pessoas com anemia por perda de ferro ( nos casos de sangramento
, duranmte a gravidez e a lactação) , pois é notável o teor de ferro que tem
(8,6mg%), sendo maior que os valores de feijão preto, soja e trigo integral. Por
ser de origem vegetal , a proteina da lentilha se diferencia das de de origem
animal. Não contem colesterol e praticamente não contem gordura, sendo ao mesmo
tempo uma boa fonte de fibras. A lentilha pode e deve fazer parte do cardápio de
pessoas com problemas de colesterol alto, prisão de ventre , problemas
circulatórios, etc. O valor nutritivo desta leguminosa varia de acordo com a
região de cultura , chegando a ter 30% de proteinas. A principal proteina é a
globulina , de boa qualidade é parecida com a dos feijões e ervilhas . ë uma
boa fonte de vitaminas do complexo B : Tiamina(vit.B1), Riboflavina ( vit. B2),
Ácido Fólico , Inositol , Ácido pantotenico e Colina. Possui sais minerais, como
o magnésio , aluminio, cobre, zinco e arsênico. A lentilha é usada geralmente na
forma de sopas , guisados , patês , bolos salgados. A vagem verde é usada como
verdura. Usa-se farinha de lentilha misturada com farinha de outros cereais. Na
Índia , é comercializada como alimento para doentes. Outro modo de consumir as
lentilhas, é na forma de brotos. A germinação aumenta o valor biológico das
proteinas , ou seja , elas são melhor aproveitadas pelo corpo . Com o processo
de germinação, aumentam também o ferro e as vitaminas do complexo B, aparece
vitamina C que não existe na semente seca. Assim , as lentilhas germinadas podem
ser usadas com melhor eficiencia , pelas pessoas que estão com problemas de
anemia pois teriam o ferro e a vitamina C, necessários para que o corpo possa
absorver o ferro de origem vegetal.
Composição Quimica
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Os aminoácidos presentes são: Lisina , histina, arginina, ácido aspartico ,
treonina, serina , ácido glutamico , prolina , glicina, alanina , cistina,
valina, metionina, isoleucina, leucina, tirosina, fenilanina e tritofano.
Contém: enzimas proteoliticas,amilasa, fosfatasa e fitasa. Saponina-esculina;
flavonóide-kaempferol;Ácidos ferulicos e cumáricos. Sais minerais como : cálcio,
fósforo, ferro, cloro, sódio, potássio, enxofre, iodo, magnésio, aluminio, cobre
, zinco e arsenico.
cem gramas de lentilhas contém :
calorias - 340
ferro - 7 mg
proteinas -23,7 g
vitamina A - 3 mg
lipidios - 1,3 g
vitamina B1 - 0,46 mg
fibras - 3,2 g
vitamina B2 - 0,33 mg
cálcio - 68 mg
niacina - 2,4 mg
fósforo - 353 mg
vitamica C - 5 mg ( tabela do Endef )
Extraido da revista Ervas & Saude - Editora Escala
sábado, 5 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Pequeno, bonito e mais barato...
Houve tempo em que se popularizou a expressão “small is beautiful” (o pequeno é bonito), que pretendia demonstrar, principalmente na área ambiental, que pequenas iniciativas, pequenas obras, eram um caminho mais fértil, mais barato, de benefícios sociais mais amplos. Hoje a expressão parece em desuso, ao mesmo tempo que se ampliam informações sobre megaobras (que custam fortunas) como solução para problemas sociais, ambientais e econômicos – quando, quase sempre, elas são desperdiçadoras de recursos e concentradoras de benefícios, principalmente nas megaempresas que as executam e influenciam as macropolíticas do País. Talvez o exemplo mais claro, já comentado neste espaço, seja o da área de energia, em que quase só se planejam mega-hidrelétricas na Amazônia ao custo de dezenas de bilhões de reais, além de outras problemáticas para áreas indígenas e de preservação legal – sem discussão clara com a comunidade científica, que tem apontado outras possibilidades, poupadoras de recursos que poderiam ser destinados a áreas sociais muito carentes. Ainda agora, noticia-se também (Estado, 30/12) que o BNDES emprestará R$ 6,1 bilhões (56,8% do valor total) para construção da usina nuclear Angra 3. Na verdade, a obra já foi iniciada – embora a licença concedida estabelecesse a condicionante de se definir, antes, a destinação final dos resíduos nucleares altamente perigosos, e isso não ocorreu. Sem esquecer o que o cientista Carlos Nobre, coordenador da política nacional do clima, afirmou no programa Roda Viva, da TV Cultura, que esse projeto precisaria ser revisto com cuidado, diante da inconveniência de implantar usinas nucleares à beira-mar, com o processo já em andamento de elevação do nível do oceano. Mas segue-se em frente, como se nada tivesse sido dito. E ainda se planejam mais quatro usinas do mesmo tipo. Não é muito diferente na área do saneamento, em que mais de 50% da população (mais de 107 milhões de pessoas) continuam sem rede coletora de esgotos, menos de 30% dos esgotos coletados são tratados e quase 40 milhões de pessoas não recebem água tratada em suas casas (Gesner de Oliveira, ex-presidente da Sabesp, 2011) – com graves consequências também na área de saúde, na qual as doenças veiculadas pela água são a principal causa de internações e consultas na rede pública; e na dos recursos hídricos, em que o despejo de esgotos sem tratamento é a principal causa de poluição. Mas nem se acena com qualquer possibilidade próxima de solução, pois se argumenta que para universalizar o atendimento na área serão necessários megainvestimentos de R$13,5 bilhões por ano durante 15 anos (Folha de S.Paulo, 7/1). Ou R$ 255 bilhões, segundo a Sabesp. E ainda é preciso lembrar que os investimentos pelo PAC nesse setor – de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões por ano – não têm chegado nem à metade do planejado. Talvez seja a hora de relembrar, então, que, dada a urgência de soluções para a sociedade, o pequeno pode ser bonito – e muito mais rápido. Começando pelo saneamento. Brasília é hoje a capital com maior índice de coleta de esgotos, acima de 90%, graças ao sistema condominial, criado pelo pernambucano José Carlos Mello e introduzido na cidade no início da década de 90. Que, eliminando, nas quadras internas em áreas de expansão, a maior parte das caríssimas redes coletoras de grandes manilhas de concreto, conseguiu ali, com enorme economia, chegar bem perto da universalização. No Brasil já existem cerca de 5 milhões de pessoas beneficiárias do sistema, além de 1 milhão no Peru. Mas continua muito forte a resistência das empresas estatais a adotar esse caminho e restringir megaobras. Não é a única solução de menor porte. A própria Agência Fapesp, junto com o Instituto de Geociências da USP, desenvolveu modelo eficiente de fossas sépticas para comunidades de menores recursos, capazes de degradar a matéria orgânica nos esgotos e dar tratamento adequado ao nitrogênio, que costuma permanecer durante décadas nas águas próximas das fossas convencionais (e 75% dos municípios paulistas já usam águas subterrâneas). Com a vantagem de que as fossas podem ser construídas por qualquer pedreiro, a custo baixíssimo (Agência Fapesp, 27/8/2010). No Paraná, onde 57,9% das cidades não dispõem de redes de coleta de esgotos (Ambiente Brasil, 27/12/2010), também se começam a instalar “estações de tratamento de esgotos por zona de raízes”, um sistema em que plantas filtram o efluente antes de lançá-lo na natureza. Uma estação para tratar efluentes de uma casa pode ser feita em dois dias e custar R$ 500. Ou pouco mais, em pequenos conjuntos. Os coliformes fecais são reduzidos em 99%. Já há projetos maiores em andamento, como, em São José dos Pinhais (PR), uma estação para tratar os efluentes de 700 pessoas. A bióloga Tamara Van Kaick, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, atesta a eficiência do sistema. Ainda na área do saneamento, é inacreditável que não se implantem sistemas para financiar a recuperação de redes de água, quando a perda média em nossas cidades é de 40% da água que sai das estações de tratamento e custa de cinco a sete vezes menos recuperar um litro de água que obter um litro “novo” com novas barragens, novas adutoras e novas estações de tratamento. Mas as prefeituras não conseguem recursos para entrar por esse caminho econômico. Da mesma forma, dezenas de bilhões de reais vão para projetos como o da transposição das águas do Rio São Francisco e, em boa parte, para cidades com esses níveis de perda – enquanto é enorme a luta para conseguir mais recursos para construir cisternas de placas nas comunidades isoladas do Nordeste, capazes de abastecer de água uma família durante toda a estiagem. Cada uma delas custa cerca de R$ 1,3 mil, mas só foram instaladas 323 mil, quando se precisa de mais 1 milhão. “Small is beautiful” – é preciso, mais que nunca, gritar pelas ruas. *Washington Novaes é jornalista. **Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S.Paulo. (Envolverde/Mercado Ético) | |
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