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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sobre ter um animal de estimação – parte 2

Foto: Marcio de Almeida Bueno
cachorroLink

por Marcio de Almeida Bueno

Basicamente, me parece que pensar e lembrar aos demais que os animais não nasceram em pátios ou apartamentos é algo que ofende muita gente. Que o cachorro na coleira, gato no porão, passarinho na gaiola, peixe no aquário, tartaruga no cercadinho e outros são tão animais quanto a oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo. Nesse especismo do piso ao teto, a humanidade escolheu até mesmo seus ursinhos-de-dormir favoritos. E, como um Dr. Moreau, os moldou conforme sua imaginação – taí o cachorro com seus formatos e tamanhos diferentes, que não me deixa mentir. Modelos para todos os gostos.

E a ideia de dar liberdade a um animal não humano, desses escolhidos como bibelô-que-late-de-verdade, obviamente não é abrir a porta e deixar que encare uma vida de mendigo humano. Isso é feito pelos que abandonam – gente que teria ataques de coceira caso não tivesse um animal de estimação, e quando o sentimento-fogo-de-palha passou, largou o cachorro numa estrada, deixou o gato do outro lado da cidade. De maneira alguma os que querem e discutem a libertação animal pretendem uma vida nas asperezadas das ruas dos centros urbanos. Ali não é ambiente natural, não há água, comida, moradia – exceto com muita sorte ou malandragem, e não é esse o caso.

E falo urbano não como contraponto ao rural – idealizado por muitos hippies, pois bem sabemos como os animais são úteis ‘ou não’ em propriedades de produção rural.

A liberdade está nos biomas, campos, florestas, pradarias, montanhas, encostas, pântanos, serras – lugares que hoje pertencem a alguém, com escritura e tudo mais, especialmente a pose de proprietário. Capitanias hereditárias, excluindo tudo o que não lhe serve.

Pois estamos resolvendo o que as gerações anteriores fizeram de errado, e a presença dos animais de estimação hoje é um legado que se resolve na base do decreto, pela população descontrolada e que ‘pode transmitir doenças’, ‘pode atacar as pessoas’. Hoje precisamos adotar e tutelar pois há uma abundância de ninhadas, animais que sofrem atrocidades e a coisa vira notícia, e seu salvador muitas vezes se orgulha em contar detalhes horripilantes aos desavisados, como que para reforçar o feito heroico. Não desmereço, mas essas deveriam ser as primeiras pessoas a se permitirem pensar, questionar, a respeito da cultura dos animais de companhia. E, corajosamente, começar a quebrar esse moto-perpétuo que joga mais animais despreparados e fora de seu habitat, alvos do chute de um e carinho do outro.

E nem cito os criadores.

E nem cito os colecionadores.

Lá fora, nas ruas, o ambiente é inóspito para animais, crianças, idosos, distraídos, turistas, desavisados, portadores de deficiência, etc. A questão é que alguns certos animais foram trazidos para dentro dos apartamentos e pátios, e agora as ruas são tão espinhosas que o trancafiado vira solução para uma liberdade, digamos, arriscada. E então a humanidade inventa a coleira e o passeio-ao-redor-da-quadra, e é visível a expressão de impaciência em parte dos rostos dos ‘donos’, que arrastam o animal no meio de cada cheirada ou atenção dada a algum canteiro. Como mãe irritada puxando criança pela mão – eu me pergunto por que ter o cachorrinho, digo, o filho, se depois é indisfarçável a falta de paciência ao cumprir o passeio por obrigação.

Fomentar o animal-eletrodoméstico é permitir que os abusos aconteçam, pois mesmo que todos aqui sejam exemplo de fornecimento de comida, cama e calor a seus animais, o costume de ter esse animal faz com que o vizinho – é esse que maltrata, nunca nós mesmos – tenha um animal-alvo para surrar, deixar passar fome, abandonar ou praticar os atos sórdidos que tanto circulam por email, em fotos chocantes.

Se eu não bebo, e me incomodo com os que ingerem bebidas alcoólicas e provocam tragédias no trânsito, a terceiros, não me permitiria pensar em rever essa relação obrigatória das pessoas com o álcool. Quem tem um familiar com problemas de alcoolismo já se pegou amaldiçoando o primeiro Adão que montou um alambique?

Para muitos, discutir a posse é dividir a humanidade entre os que maltratam e os que tratam bem. Mas o ponto é separar os pets em escravos de barriga cheia ou barriga vazia. A violência pode ser barulhenta, que choca e ultimamente tem virado notícia, e rendido muito troca-troca de emails, ou pode ser silenciosa, e ainda com o manto de proteção, amor ou outra palavra bonita. A natureza, mesmo a mais idealizada ou que só existiu há muito tempo, está cheia de perigos, e nem por isso vamos botar cada zebra para dentro de nossas casas, para que o leão, esse malvado, não a coma. É a maneira humana de fazer as coisas tortas. Ou a mãe que reza cada vez que o filho sai de casa, mesmo que ele já tenha 40 anos.

Em resumo, não é muita coincidência tanta gente ter cachorro? Ou porque foi atrás, a fim de comprar ou adotar, ou como um ‘apanhador no campo de centeio’ precisou resolver os abandonos e violências cometidos por terceiros. Cabe, então, questionar essa necessidade de se ter o animal, pois o mundo não é feito só de bonzinhos idealistas, iguais a si.

Ter um animal não significa que a pessoa goste de animais. Pode parecer um paradoxo, mas tenho certeza de que todos hão de lembrar de algum caso. Nós que gostamos, e acordamos diariamente para viver uma vida em que não seja preciso comer um animal morto, nem vestir a pele de outro nos pés, nem beber a amamentação que outro havia destinado a seu filhote etc. Nós que salvamos um não humano da canalhice humana, que gastamos tempo e dinheiro com isso, nós que fomos ‘fazer baderna’ contra alguma forma de exploração animal. Nós é que precisamos pensar e discutir se essa proximidade com alguns certos não humanos está apenas lhes deixando à mercê, ou a um ‘fugir do pátio’ ou ‘escapar da coleira’, dos riscos que a aglomeração humana sedimentou em torno de si.

Fonte: ANDA

domingo, 15 de maio de 2011

Vanguarda Abolicionista se faz presente na 2ª Cãominhada de Canoas

Fotos: Marcio de Almeida Bueno

Na manhã deste domingo, 15 de maio, a Vanguarda Abolicionista esteve participando da segunda edição da Cãominhada de Canoas, que reuniu centenas de pessoas no Capão do Corvo, tradicional parque da cidade.

Houve distribuição de ração, venca de acessórios e stand de proteção animal da SOS Animais de Canoas. A Vanguarda Abolicionista aproveitou a concentração de tutores, criadores, adestradores para realizar panfletagem pela castração e posse responsável.

Pouco antes das 10h, todos seguiram em passeio com seus animais pelas ruas da cidade, em trajeto ampliado - em relação à primeira edição do evento - que durou cerca de uma hora. Havia caminhão de som, cobertura da Imprensa e apoio da Guarda Municipal e Brigada Militar, com alguns 'pet-stop' onde havia pratinhos com água para os cachorros.

A Vanguarda Abolicionista marchou com dois banners de conscientização contra o comércio e exploração de animais, que novamente despertaram o interesse dos populares, que solicitavam flyers e tiravam fotos. Ao final, os participantes retornaram ao Capão do Corvo, onde houve apresentação de cães farejadores de drogas, por parte da Brigada Militar.

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