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domingo, 19 de junho de 2011

Os macacos amestrados da Indonésia ou ‘quanto riso, ó quanta alegria’

Fotos: Ulet Ifansasti/Getty Images

jacarta

por Marcio de Almeida Bueno, jornalista

O jornal Denver Post publicou neste mês de junho uma galeria do fotojornalista Ulet Ifansasti, que na cidade de Jacarta, Indonésia, esteve acompanhando os macacos treinados que fazem truques na rua. São, talvez, algumas das mais perturbadoras imagens que já vi na minha vida de jornalista e ativista pró-animais. Sujeira, miséria e degradação – social e moral, deixemos bem claro – de um país que, volta e meia, entra no pacote da ‘sabedoria oriental’, que tantos incautos angaria aqui no Ocidente. Nas fotos, eu apenas vi humanos presos às ratoeiras das conseqüências de sua própria superpopulação, o que entope esgotos – onde estes existem, vejo que é luxo, ainda – urbanos, arranca com mais voracidade tudo que está em preparação no rural, e entorpece a maioria das pessoas, que são tocadas como gado por uma minoria ‘dois neurônio’ mais esperta. E para botar um pouco de luz, de cor e de alegria tênue nessa vida de tijolo vivo, basta treinar animais não-humanos para dançarem e vestirem roupas que o fazem parecer uma pessoa. Uma pessoa desajeitada, sem motivo para seguir em frente exceto o castigo lá adiante, que não sabe se caminha de quatro ou em pé, que fala uma língua espasmódica, e tudo isso deve provocar diversão e lazer para os quem estão acima, claro, dessa condição de animal pateta. O palhaço que escorrega para todos rirem, o personagem desafortunado da piada que vai de boca e boca, levando a baba da tradição oral inculta pelos tempos. A repetição do dia anterior, outorga para tudo que é feito cotidianamente.

E assim os macacos apresentam o show de suas vidas sobre o concreto feio e sujo, música urbana. As roupas mimetizam glamour e decadência, aparência de importância e solenidde com uma existência qualquer-nota, e o que alguns aplaudem e dão moedas é o mesmo que outros percebem como a estrutura-raiz da humanidade. Subjugar o que está a seu alcance, enquanto pode. Confesso não imaginar os detalhes das técnicas para treinamento desses ‘truques’. Quando não treinados, permanecem na coleira, junto a um pote de esmolas. Mas o showbizz não pára.

Jackart

E muitas vezes quem luta pelos direitos animais escuta o mantra ‘vocês estão humanizando os animais’, como se houvessem degraus/castas bem definidos onde cada um deve ficar, e este aqui, por ser parecido comigo – mas não me chame de macaco que é ofensa! – vai ser um bobo-da-corte porque assim eu quero. Colocar roupas, cabelo, máscara de boneca em um animal, fazê-lo andar ereto, pilotar uma bicicletinha em meio às baganas de cigarro da calçada – eis o ‘humanizar’, da forma doente que a visão de dominação dita. E a antropomorfização serviu apenas para que o pai e mãe, que ali param para proporcionar aos filhos um instante de brilho em meio à caixa-de-gordura-entupida de suas vidas, eduquem seus rebentos a ver o animal não-humano como um alvo, um cabide, um acessório, uma engrenagem, um ralo para a humanidade.

E ensinam a não ver que há uma corrente bem presa no pescoço de cada um deles, e a ver que não há uma corrente bem presa no pescoço do macaco, pois assim a mágica parece verdadeira, e a vida, mágica.

Me parece que o detalhe cruel da máscara de boneca, antes de qualquer adorno circense-ilusionista, foi a saída que o humano-que-segura-a-corrente encontrou para tapar e tampar a expressão facial do animal-atração que ali se descobriu na tediosa e estressante sala de espera de sua própria morte.

As fotos estão em http://blogs.denverpost.com/captured/2011/06/02/in-focus-performing-street-monkeys/4478.

Fonte: ANDALink

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

RS: Vanguarda Abolicionista e apoiadores protestam contra a Expointer

Fotos: RSantini

expointer

por Marcio de Almeida Bueno, jornalista

Neste domingo, dia 29 de agosto de 2010, mais uma vez dezenas de ativistas estiveram realizando protesto em frente à Expointer, a maior feira agropecuária do Brasil, e uma das maiores do mundo. Das 10h às 16h, a Vanguarda Abolicionista esteve realizando panfletagem junto às bilheterias do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio - região metropolitana de Porto Alegre, com participação dos grupos ComPaTa, de Passo Fundo, e Projeto ProAnimal, de São Leopoldo.

explorinter

Dentro do parque, animais confinados, engaiolados, puxados pelo nariz ou esperando a hora de morrer, exposições dos campeões das ‘raças’, e a final do Freio de Ouro, tradicional rodeio gaúcho. No portão principal, banners e faixas foram erguidos, denunciando a situação de escravidão, exploração e morte a que os animais são submetidos, a despeito da idéia de ‘bem tratados’. Com uma maioria de veganos e alguns vegetarianos, os cerca de 30 ativistas apresentavam ao público a opção de uma vida que prescinde de carne, leite, ovos, couro, etc, nem de diversão às custas do sofrimento animal, como rodeio e laço.

Expointer 2010

Milhares de pessoas entravam na Expointer, e obrigatoriamente passavam pelo protesto, recebendo material impresso ou mesmo interessando-se pelas mensagens dos banners. “É que para comer carne a gente tem que matar a vaquinha, minha filha, e esse pessoal está pedindo que não se mate mais os animais”, explicou uma mãe à filha pequena, que perguntava sobre o significado das fotos e dos dizeres.

explorinter

Um simpático cachorro de rua se aproximou dos manifestantes, recebendo água para beber e pomada cicatrizante em um machucado que apresentava, graças a duas participantes que também atuam na proteção animal.

expointer 2010

O protesto se encerrou ao final da tarde, após mais de mil cópias do material impresso preparado para a ocasião terem sido distribuídas ao público pedestre. Clique aqui para ver a matéria sobre o protesto publicada em Zero Hora.

expointer

Explorinter