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sábado, 11 de setembro de 2010

Vanguarda Abolicionista se fará presente no 3º Congresso Vegetariano

congresso vegetariano

A Vanguarda Abolicionista vai partiicipar de forma plena do terceiro Congresso Vegetariano Brasileiro, que acontece de 16 a 19 de setembro em Porto Alegre. Na programação, extensa grade de atividades, palestras, oficinas, com nomes como George Guimarães, Carlos Naconecy, Eric Slywitch, Heron Santana, Silvana Andrade, Marly Winckler, Ricardo Timm de Souza, Renata Fortes e muitos outros.

A VAL estará representada por três nomes de seu núcleo central, que vão palestrar e ministrar oficina de ativismo, além de stands para atendimento ao público durante os dias do Congresso.

No dia 18 de setembro, sábado, das 9h às 10h na Sala Araucária, Marcio de Almeida Bueno ministra a palestra ‘Comunicação de guerrilha, jornalismo pé-na-porta e mantra-boca-suja: táticas e relato de cases‘. Segundo o jornalista, a atividade vai tratar de ações práticas de comunicação viáveis ao interessado em se engajar na causa animal, Internet, material impresso e impactos inversamente proporcionais ao custo, aproveitamento de equipamento doméstico, multiplicação da informação, canais disponíveis e busca por um maior público. Haverá relato de ações pequenas que causaram efeitos grandes no cotidiano da luta pelos direitos animais, e estratégias de confusão, ‘bombas de fumaça’ e como se mimetizar na atual sociedade caleidoscópica.

A palestra imediatamente seguinte, na mesma Sala Araucária, das 10h às 11h, será da bióloga Ellen Augusta Valer de Freitas, com ‘A defesa dos direitos animais na educação‘. Na pauta, sua experiência como educadora e os projetos envolvendo filmes, textos e outros materiais relacionados aos direitos dos animais, vegetarianismo e meio ambiente.

No dia 19 de setembro, domingo, das 9h às 10h, na Sala Figueira, acontece a oficina 13 de ativismo, intitulada ‘Vanguarda Abolicionista e o ativismo linha-de-frente‘, a ser ministrada por Marcio de Almeida Bueno. O objetivo é apresentar as ações da VAL, sua estrutura e estratégia, os diversos ramos em que atua e a prática do dia-a-dia. Protestos, movimentações ppsitivas, burocracia, materiais produzidos e apoio do grupo alemão Vida Universal / Universelles Leben.

Em seguida, das 10h às 11h, mas na Sala Paineira, a nutricionista Claudia Lulkin ministra a palestra ‘Magia Vegetal: o vegetarianismo mudando paradigmas pró saúde humana, animal e do planeta‘. Claudinha vai explicar por que a alimentação vegana é funcional, e também consensos da ciência da Nutrição, além de frutas nativas do Sul, plantas alimentícias não convencionais e outras especialidades.

A Vanguarda Abolicionista terá ainda um stand fixo na feira vegetariana – que estará aberta durante os quatro dias do evento, onde distribuirá materiais, conversará com o público sobre suas atividades e comercializará camisetas, buttons, DVDs e livros. Claudia Lulkin e Pris Machado, também colaboradora da VAL, terão stand próprio, para apresentar idéias e comercializar lanches veganos. Não precisa estar inscrito no Congresso para circular na feira.

O Congresso Vegetariano acontece no SESC Campestre, localizado na avenida Protásio Alves, 6220, e informações completas estão no hotsite http://www.svb.org.br/3cvb.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paisagismo alimentar alia jardinagem à alimentação saudável

Foto: Marcio de Almeida Bueno
claudia lulkin
A nutricionista Claudia Lulkin, adepta de um estilo de vida em harmonia com a natureza, realiza trabalho educativo de resgate da cultura da jardinagem voltada para a alimentação num assentamento urbano na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul – o chamado paisagismo ou jardinagem alimentar. Nesta entrevista, ela esclarece o que é e quais os valores difundidos por esta prática que, de acordo com ela, deveria ser adotada não só no campo, mas também nas cidades.
Mobilizadores COEP – O que é paisagismo alimentar? Em que princípios se baseia?
R.: Paisagismo alimentar é uma proposta de se plantar, num mesmo local, plantas destinadas ao embelezamento e outras que podem fornecer alimentos, como árvores frutíferas, plantas medicinais, como guaco, boldo, camomila, e flores comestíveis como capuchinha. Em todos os lugares, em cada cantinho, em cada pedacinho que parece abandonado podemos fazer um jardim aprazível, curador, colorido, organizador do olhar. O princípio básico é embelezar como função estética, anti-estresse e incentivar a paixão pela jardinagem.
Mobilizadores COEP – De que maneira o paisagismo alimentar pode contribuir para promover a segurança alimentar, principalmente, dos mais pobres, onde os recursos e também o acesso à informação para uma alimentação saudável são mais escassos?
R.: Promover a segurança alimentar é muita pretensão, mas, ao plantarmos frutas como mamão, limão, laranja, bergamota, maracujá, pitangas, goiabas, butiás e abacate; temperos, como salsinha, cebolinha, manjericão, manjerona; e ervas medicinais como capim cidró, camomila, macela, lavanda, podemos oferecer às comunidades princípios curativos, vitaminas e minerais, que além de tudo podem ser compartilhados e dar aroma e cores à paisagem. Mesmo a jardinagem na cidade utiliza plantas de forma bem repetitiva, ou seja, com pouca diversidade e, em geral, sem função alimentar.
Mobilizadores COEP – Qual a relação entre paisagismo alimentar e permacultura? Poderia explicar a diferença entre eles?
R.: A permacultura é a prática de uma cultura permanente que engloba planejar e manter sistemas de escala humana ambientalmente sustentáveis. Em permacultura também se faz paisagismo alimentar e muito mais. Esta cultura ocupa-se de guardar água para molhar as plantas, ensina a fazer telhados verdes que também podem ter plantas alimentícias, faz casas com recursos locais. O paisagismo alimentar está dentro da permacultura, está dentro das práticas de agrofloresta, está dentro do paisagismo, da arquitetura, da agricultura urbana.
Mobilizadores COEP – Podemos aplicar o paisagismo alimentar nos grandes centros urbanos? Como seria o plantio em apartamentos?
R.: Muitas pessoas plantam suas flores e temperos em sacadas de apartamentos, em parapeitos de janelas. Os centros urbanos têm muitas áreas com espaços que podem se tornar jardins comestíveis. A princípio qualquer lugar pode receber plantas para se tornar mais agradável.
Mobilizadores COEP – Que tipo de alimentos, flores e ervas medicinais podem ser cultivados? Quais os principais cuidados que devem ser adotados?
R.: Já citei vários, mas é importante se certificar com pessoas que entendam de plantas e estudar o que pode ser plantado, para não ter problemas futuros com fios de eletricidade ou com canos que estão sob calçadas, por exemplo, caso as espécies escolhidas cresçam muito ou tenham a raiz muito grande.
Mobilizadores COEP – De que maneira podemos melhorar a nossa interação com a natureza, através dos alimentos, dentro dos grandes centros urbanos?
R.: Cada vez mais parece que as pessoas estão se dando conta da necessidade dos elementos da natureza para sua sanidade: tomar sol, respirar ar puro, sentir a brisa e o vento, ouvir a chuva, ver um lago, ver o verde, sentir os aromas. Se plantarmos jardins que também sejam comestíveis, também sentiremos sabores. É uma alimentação não só para o corpo, mas para a mente, para os olhos, para os sentidos, para o equilíbrio psicológico.
Mobilizadores COEP – Você trabalha com um assentamento urbano em São Leopoldo (RS), onde desenvolve um trabalho educativo através da jardinagem alimentar. No que consiste o trabalho e há quanto tempo vem sendo realizado? Ele já trouxe resultados? Poderia citar exemplos práticos?
R.: O assentamento urbano Vida Nova, em São Leopoldo, abriga cerca de 133 famílias que moravam às margens do Arroio Kruse e foram reassentadas pelo Projeto PAC Arroio Kruse – projeto articulado junto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vinculado ao Governo Federal, sob a coordenação da Prefeitura. O projeto visa também à regularização fundiária e a recuperação ambiental de aproximadamente 1,5 quilômetros do arroio.
Estamos começando a disseminar a ideia da criação de uma nova paisagem, de embelezar e valorizar os espaços individuais e coletivos e acrescentar princípios alimentares – jardins com ervas, com flores coloridas e curativas, com trepadeiras como guaco e bertalha, e babosa para cicatrização, por exemplo. As famílias assentadas já vinham de uma prática similar. Agora, estamos estimulando a continuidade dessas práticas e a aproximação da vizinhança, com um troca-troca de mudas, receitas e xaropes.
Mobilizadores COEP – Como a comunidade do assentamento está reagindo a este tipo de trabalho educacional? Ela participa e se envolve? De que forma?
R.: As pessoas se envolvem pelo prazer de ver os resultados, mesmo que isso tenha um tempo para se estabelecer: o tempo do crescimento das plantas. É interessante, pois o tempo urbano é da correria e a jardinagem tem o tempo das estações, das lunações e temos que esperar para ver o que acontece com as plantas. É outra dimensão.
É um trabalho ainda recente, mas esperamos envolver a comunidade e disseminar estas ideias. O método – inspirado a partir de leituras e vivências dos mestres Paulo Freire, Bill Mollison, Lucia Legan, Ademar Brasileiro e Clara Brandão; das Ongs Ingá, Flor de Ouro, Oca Brasil e Ecocentro IPEC – é da descoberta dos recursos disponíveis a cada momento, provocando rápida transformação com assimilação da idéia e da prática.
Mobilizadores COEP – Como podemos utilizar os alimentos de forma a torná-los aliados para o desenvolvimento de uma vida mais saudável e mais produtiva?
R.: Os alimentos de origem vegetal: frutas, verduras, flores, temperos têm princípios funcionais, curativos. Têm cheiros, cores, sabores verdadeiros. Se conseguimos transformar o paladar que está ficando também alterado por uma alimentação altamente processada e artificializada, estaremos oferecendo ao corpo mais nutrientes.
As atividades de jardinagem e de paisagismo alimentar também fazem com que as pessoas voltem a utilizar melhor seu corpo, se alongando, se abaixando, tomando sol. Rompem a doença do sedentarismo com uma atividade extremamente prazerosa e revitalizante.
Mobilizadores COEP – O que é importante fazer para que as comunidades adotem alimentação mais variada e criativa, valorizando os alimentos típicos de sua região? Pode citar exemplos?
R.: É importante colocar a mão na terra e na massa, fazer refeições junto, demonstrar na prática as delícias que estão disponíveis ou que podem se tornar disponíveis. Por exemplo: numa comunidade, uma senhora tem no seu pátio tomate de árvore. Passamos a utilizar os tomates em comidas na cozinha comunitária e o grupo reaprendeu a utilizar essa planta.
Em outro momento, utilizamos mamões verdes para uma geléia com coco e ficou uma delícia. Colhemos butiás e fazemos suco. Batemos maracujás com cenoura para suco e fazemos maionese de abacate, colhemos os chuchus e fazemos saladas ou doce. Quando se tem a disponibilidade dos recursos, torna-se mais fácil criar com eles. Esse movimento tem o intuito de envolver mais pessoas para que se tenha esses recursos disponíveis e possamos estimular este tipo de alimentação. Algo do tipo que ‘essa moda pegue’, resgatando o gosto pelo prazer da jardinagem.
Eu me tornei uma apaixonada por isso através de amigos que têm a maestria da jardinagem, como Ademar Brasileiro – Mago Jardineiro de Curitiba, Marco Krug, artista, designer, paisagista, doRecife (PE), o pessoal do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), em Pirenópolis (GO); os jardins da Humaniversity, na Holanda. Todos são movimentos de resgate da relação do homem com o meio ambiente ao seu redor.
Entrevista para o Grupo de Combate à Fome e Segurança Alimentar
Fonte: http://www.mobilizadores.org.br/coep/publico/consultarConteudo.aspx?TP=D&CODIGO=C201071413927593