Matéria distorce fatos sobre saúde e hábitos de jovens vegetarianos
George Guimarães
Em matéria (Vegetarianismo pode esconder distúrbios alimentares em adolescentes) publicada em 11 de maio de 2009 pelo caderno Folhateen do jornal eletrônico Folha Online, o Sr. Chico Felitti busca, com muita falta de habilidade, desinformar o público e distorcer os fatos sobre a saúde e hábitos de jovens vegetarianos. A matéria publicada na Folha Online pode ser lida aqui: http://www1. folha.uol. com.br/folha/ equilibrio/ noticias/ ult263u563589. shtml
Para ilustrar a manipulação de informação à qual o leitor é induzido, a matéria informa que a porcentagem de vegetarianos que usam a dieta para controlar o peso ou para mantê-lo é de 20%. Qual seria a porcentagem de jovens onívoros que usam a dieta para perder peso? Se a ideia era fazer um alerta com relação ao comportamento dos vegetarianos, o jornalista falhou em colocar o problema em perspectiva ao deixar de comparar o comportamento dos jovens vegetarianos com o comportamento da norma.
Mais adiante, na mesma linha, o texto sugere que "parte" desses jovens que usam a dieta vegetariana para perder peso sofreria de anorexia e bulimia, mas o autor falha em citar qual seria a porcentagem de anoréxicos e bulímicos dentro dessa porcentagem de 20%: "Dentre os vegetarianos, dois de cada dez admitiram usar a dieta verde para perder peso ou para mantê-lo. No controle da balança, usam táticas como comer pouco e vomitar". Certamente ele quis dizer que alguns desses 20% usam tais táticas, e não todos eles, o que poderia ser qualquer número entre 1 ou 108 indivíduos (o estudo avaliou 2.516 jovens, sendo 108 vegetarianos) . Mas da maneira como foi escrito, ao ler a frase acima, o leitor desatento poderá facilmente ser levado a crer que os 20% citados são todos anoréxicos e bulímicos. Ademais, a porcentagem de jovens vegetarianos que sofrem desses distúrbios é maior do que a porcentagem de jovens onívoros? Se não é, qual foi o propósito em causar alarde?
O jornalista fecha com chave de ouro o penúltimo parágrafo, onde ele declara: ?Há exceções: filho de vegetarianos, Juliano Vilela, 16, nunca tomou pílulas. Tampouco comeu carne. 'Não sei qual é o gosto e nem quero saber'." Exceções?! Se estávamos falando de 20% de jovens que usam a dieta para controlar o peso (o que não caracteriza distúrbio), sendo que apenas uma fração (não informada) destes sofreria de distúrbios como anorexia e bulimia, quando foi que todo o restante (mais de 80% do total) passou a ser exceção? Pelos meus cálculos (e usando os números do próprio autor), qualquer número superior a 80% é maior do que qualquer número inferior a 20%, o que significa que a exceção (citada por ele como saudável) é a regra, e a regra (citada por ele como ortoréxica) é a exceção. Em nome da sanidade da informação, espero sinceramente que a falta de perspicácia do autor e a gafe da editoria da Folha Online ao deixar um texto com tamanho potencial de desinformação ser publicado sejam a exceção e não a regra.
Operações matemáticas primárias e expectativas à parte, o texto contém "erros" grotescos de informação de cabo a rabo. A abertura do texto sugere que o fato de 20% dos jovens que se dizem vegetarianos sofrerem de distúrbios alimentares seria um bom contra-argumento para a alegação de que quem não come carne é mais saudável. Será que o autor realmente pretendeu, usando esse único argumento, derrubar toda a sólida argumentação em favor da adoção de uma dieta vegetariana? Proeza difícil essa. Mas espere aí, está escrito ali no início do texto que 20% dos jovens vegetarianos sofrem de distúrbios alimentares? Sim, está escrito exatamente assim logo no primeiro parágrafo. Mas, como já vimos, mais adiante no texto está escrito que 20% dos jovens usam a dieta para controlar o peso, o que não caracteriza distúrbio alimentar. O que é sugerido é que apenas uma parte (não declarada) desses 20% sofreria de distúrbios alimentares. Bom, estamos de volta às dificuldades com a ciência aritmética básica.
Já no ramo da ciência da saúde, uma vasta literatura científica aponta de maneira consistente para o fato de que vegetarianos (crianças, jovens e adultos) são mais saudáveis do que os seus parceiros onívoros, gozando de melhor saúde e longevidade. Aliás, a própria matéria em questão, em raros trechos dispersos entre a condução manipulada e maravilhas literárias como "proteger os bichinhos" e "vegetas", informa que:
* 4,3% dos jovens americanos são vegetarianos;
* 25% dos jovens americanos acha o vegetarianismo cool (bacana);
* a porcentagem de vegetarianos no Reino Unido cresceu de 1,8% nos anos 80 para 7% em 2005;
* nas palavras da autora do estudo: "vegetarianos têm menos chances de ter doenças cardíacas e diabetes";
* nas palavras do autor do texto: "os 'vegetas' com dieta balanceada tendem a ingerir mais vitaminas e menos gordura do que quem come carne";
* vegetarianos estão insatisfeitos com o atendimento prestado por nutricionistas.
Seja para os profissionais da área de saúde ou do jornalismo, a informação correta acompanhada de uma boa dose de aritmética básica é prescrição essencial.
George Guimarães
Nutricionista especializado em dietas vegetarianas
e-mail: nutriveg@terra. com.br
Sempre podemos mais do que nos foi dito podermos - Estamos sem anúncios. Já foi solicitada ajuda ao Google e nada...Qual será a razão? Já fiz e refiz as instruções e nada...Pedi ajuda, nada...Qual é a do Google????
terça-feira, 19 de maio de 2009
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Estamos todos ficando vegetarianos
Como eu sou vegetariana há mais de 20 anos percebi que alguma coisa estava acontecendo ao perceber que muitos estavam tornando-se vegetarianos. Como sou também psicóloga e socióloga resolvi acompanhar isto de perto e comecei uma pesquisa que está em fase de análise para saber mais dados sobre os vegetarianos. Como eu queria também que todos tivessem acesso a estes dados criei um cadastro de vegetarianos, o Cadastro-Veg, que é um projeto que está sendo bem recebido pelos vegetarianos. A partir da pesquisa e da minha participação em grupos de vegetarianos fica muito evidente que há hoje em dia muitas pessoas que não querem mais que os animais sejam objeto de consumo, já que é esta a principal motivação que têm levado não somente jovens, mas também pessoas mais velhas, a mudarem de hábitos. A grande maioria dos vegetarianos respeita e gosta de animais e não os quer na mesa, nem no vestuário, nem em cosméticos ou em nada que signifique seu sacrifício e muitos deles são ativistas como eu, contra a exploração animal. A maioria dos registrados compreendeu e participa de forma exemplar da proposta e têm colocado o nome completo e até dados mais pessoais para mostrar que são pessoas reais e não alguém inventado. Com isto estão erguendo uma bandeira em prol da libertação dos animais e ratificam esta tendência com palavras libertárias ou manifestações de amor aos animais em seu perfil.
Ainda assim o Cadastro está só começando e há muito para elaborar, desenvolver e melhorar. Como eu tenho visto cada vez mais adeptos do vegetarianismo e também pessoas querendo ser vegetarianas e nem sempre conseguindo, criei uma nova classificação que é o “aliado” e as categorias “em transição para” (vegano ou vegetariano). Todas as categorias mostram que há um movimento na direção do veganismo ou libertação dos animais e é isto que eu queria saber e também mostrar. Pode até se pensar que se o mundo fosse mais vegano (com possibilidades de opção de produtos sem nada de origem animal), muitos já teriam aderido a esta filosofia. Depois foi criando uma rede social para aqueles que também queriam interagir: a Rede Social do Cadastro-Veg que permite interação, numa espécie de Orkut vegetariano.
Agora vêm as fases seguintes que é aprimorar, traduzir para o inglês e implementar a rede e mostrar esta realidade para todos. Faz parte de o projeto possibilitar que o comércio, serviços e mesmo os políticos saibam que há hoje uma grande mudança cultural que JÁ está afetando muitas áreas da sociedade. E o Cadastro-Veg é prova da mudança de paradigma da qual somos porta-vozes: a idéia de que devemos ampliar a noção de respeito e dignidade aos animais. E este é o significado do Cadastro dos Vegetarianos, mapear e incentivar esta transformação.Fica aqui o meu convite para que outros participem deste projeto, mesmo como aliados, dando mais cor e significado a esta idéia. Participem e divulguem o cadastro e esta proposta.
Eliane Carmanim Lima, idealizadora do Cadastro-Veg.
Veja outros detalhes também aqui.
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