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sábado, 23 de abril de 2011

Farra do Boi, vergonha Catarinense!

Carta-Protesto contra a Farra do Boi

Manifesto meu repúdio à prática cruel, covarde e criminosa que é a Farra do Boi, que suja de sangue o belo estado de Santa Catarina.
É inaceitável que um ato tão vergonhoso continue a ser realizado, promovido, e até estimulado, apesar da legislação federal que estabelece sua total proibição, sob qualquer pretexto.
Exijo, portanto, que esta barbárie disfarçada de tradição, seja finalmente banida, e para isso, é vital o envolvimento direto do Governador de Santa de Catarina, autoridades de segurança e demais autoridades públicas estatais e municipais, que têm o dever moral e legal de cumprir a legislação federal, estadual e municipal vigente para que não sejam punidos por prevaricação, conivência ou falta de cumprimento das leis. (A Farra do Boi foi expressamente proibida através de Recurso Extraordinário número 153.531-8/SC; RT 753/101 em território catarinense, por força de acórdão do Supremo Tribunal Federal, na Ação Civil Pública de n.o 023.89.030082-0.)
Da mesma forma, exijo que sejam realizadas, imediata e constantemente, ações efetivas para prevenir, educar, conscientizar e evitar definitivamente a realização das Farras do Boi. Além de ações rigorosas e contundentes para reprimir e desmantelar essa prática odiosa, com o envolvimento da Polícia Militar e Polícia Federal, a quem compete investigar e indiciar os organizadores por formação de quadrilha; aplicar multas e punição compatível; apreender veículos que transportarem os animais; lacrar e desapropriar os terrenos que forem usados para essa prática; indiciar por apologia ao crime todos aqueles que usarem os meios de comunicação para divulgar, defender ou incentivar a Farra do Boi; e ainda, indiciar, em todas as esferas penais e cíveis, aqueles que intimidarem, com ameaças, represálias ou danos ao patrimônio, os cidadãos que denunciarem as Farras do Boi, como ocorre sistematicamente em todo o estado.
Ante o exposto, solicito que as autoridades façam cumprir a lei.

Seu Nome
Estado/Pais

Autoridades do Estado de Santa Catarina a quem enviar o texto acima:

cmich@pm.sc.gov.br ; vicegovernador@gvg.sc.gov.br ; pge@pge.sc.gov.br ; gabs@sea.sc.gov.br ; seccasacivil@scc.sc.gov.br ; secretario@secom.sc.gov.br ; gabsae@sae.sc.gov.br ; san@san.sc.gov.br ; assuntosestrategicos@gge.sc.gov.br ; sjc@sjc.sc.gov.br ; gabinetesecretario@ssp.sc.gov.br ; ci@alesc.sc.gov.br ; presidencia@tce.sc.gov.br ; tjmail@tj.sc.gov.br ; cee@cee.sc.gov.br ; ouvidoria@mp.sc.gov.br ; cidado@camara.gov.br ; cmtg@pm.sc.gov.br ; cme@mp.sc.gov.br



Mobilização virtual contra a "Farra do Boi" em SC
22 de abril de 2011
Organização Bem-Animal - oba@obafloripa.org

Mesmo sendo crime, a Farra do Boi está programada para acontecer em várias cidades de Santa Catarina até domingo de Páscoa.
Já fizemos tudo, absolutamente tudo o que estava ao nosso alcance, mas todos sabem que estamos lidando com criminosos, policiais coniventes e autoridades que se fazem de cegas. Não seremos vencidos por uma minoria que insiste em envergonhar o nosso Estado!

Leis
Além da Lei Federal 9.605/98, que prevê em seu artigo 32, que é proibido “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, impondo pena de detenção e multa, sendo aumentadas até um terço se ocorre a morte do animal, a Farra do Boi foi expressamente proibida através de Recurso Extraordinário número 153.531-8/SC; RT 753/101 em território catarinense, por força de acórdão do Supremo Tribunal Federal, na Ação Civil Pública de n.o 023.89.030082-0.
Conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, a Farra do Boi é intrinsecamente cruel, é crime, punível com até um ano de prisão, para quem pratica, colabora, ou no caso das autoridades, omite-se de impedi-la. (Fonte: http://ongacapra.wordpress.com/2009/05/19/farra-do-boi )
Quando estava em campanha para a candidatura do governo de SC, Raimundo Colombo assinou um documento comprometendo-se em desenvolver políticas públicas voltadas aos animais. Dos 6 compromissos assumidos, um deles é voltado para a efetiva repressão e extinção da prática criminosa da Farra do Boi no estado. Para ler a carta de reivindicações http://www.obafloripa.org/blog/2010/10/compromisso/

Envie seu protesto! Tem que ser agora, pois a vida desses seres indefesos depende da nossa atitude!


Acesse os seguintes sites e deixe sua mensagem de repúdio:

- Prefeitura de Governador Celso Ramos: http://www.govcelsoramos.com.br/contato.php
- Prefeitura de Florianópolis: http://www.pmf.sc.gov.br/ouvidoria/index.php
- Ouvidoria do Estado de SC: http://www.ouvidoria.sc.gov.br/

Se você souber que uma Farra do Boi está acontecendo, denuncie imediatamente para o 190 e também mande e-mail pra gente:
mailto:oba@obafloripa.org

Telefones da Polícia Ambiental de Florianópolis: (48) 3269-7111 ou 3240-1608


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Fonte - OBA FLORIPA (Organização Bem Animal) - http://www.obafloripa.org/blog/

‘Jesus, apaga a luz’ ou começa a Farra do Peixe em Porto Alegre

por Marcio de Almeida Bueno, jornalista

feira do peixe
Fotos: Marcio de Almeida Bueno

Então alguém aperta um botão escrito ‘Páscoa’, e as pessoas todas – a maioria – passam a se agitar em um ritmo diferente, que inclui filas nas lojas, crianças com orelhas de coelho e comida específica. Juro que gostaria de saber o nome desse alguém, mas enfim. E dentro dessa cantilena hipnótica que parece vir do frenesi ‘com estrelinha’ lá de fora, alguém botou o aviso de que tem que comer peixe. Aliás, tem que COMPRAR peixe, antes de tudo – mais uma rotina a ser cumprida por uma massa humana que não se pergunta, não se questiona, apenas rebola no ritmo que o bambolê das tradições dita a seus quadris.

feira do peixe

No Centro de Porto Alegre, em algo chamado de, vejam só, Semana Santa, a Prefeitura instala um pavilhão com dezenas de bancas que vendem peixe ‘fresco’, resfriado ou congelado, algumas que vendem peixe frito ou assado em churrasqueira, além de uma que, atração principal, vende o sagrado ainda vivo. Todas as etapas da serventia.

É uma experiência e tanto ficar alguns minutos ao redor dos tanques, vendo carpas de quase dez quilos debaterem-se em uma água suja. Às vezes aparenta ser um único animal, com inúmeros tentáculos saindo para fora da água, com uma plateia cativa que reage, conforme a emoção, com risadas, espanto, indignação ou mesmo com o olhar vitrificado de quem apenas coleciona paisagens durante a vida, e não se abala. Outros batem fotos com o celular, o que dá no mesmo.

feira do peixe

Alguns se assustam ao verem aquele pré-bolo fecal de carpas enroscando-se e até pulando para fora – o que faz juntar mais gente ao redor do cercado. Ok, vai comer alguma carne logo ali adiante – há o histórico peixe na taquara, que todos os políticos locais estilo papagaio-de-pirata vão se prestar a saborear, na abertura da ‘feira’. Mas é interessante reparar que o processo de morte daquele que nasceu para ser ingrediente culinário AINDA é algo que choca e causa perplexidade a certos, no esquema ‘… mas nunca pensei nisso’. Para quem acha que todo mundo já sabe de tudo, e os ativistas não têm por que se manifestarem.

E o circo completo, de calçadão melequento e mais fedido que o habitual, caminhões refrigerados com funcionários mal-encarados pacas, cheiro de fritura, churrasco de não-carne – o peixe – e tudo mais, existe pela tradição de uma facção religiosa. Não que todos os consumidores ali se acotovelando, em busca da melhor oferta, sejam cristãos com letra maiúscula – é bem visível que a coisa funciona apenas pelo lado ‘Macaco Simão mandou… pular em uma perna só!’, tal qual aquela brincadeira da infãncia.

peixe na taquara

A mistura de padre abençoando aquele lugar, arena de peixes já zumbis despertando um apetite torto nos pais-de-família e donas-de-casa que ali passam, Semana Santa, jejum, ovo, ‘ei, diz que eu mandei Feliz Páscoa pro Osvaldo’, crianças com orelhas de coelho, água fétida no chão, bombons a R$ 1,99 e filés sem cabeça sendo negociados no grito, mais uma vez tem o carimbo da tradição.

Uma tradição de abuso físico e psicológico, roubo de liberdade, morte e deboche dos animais não-humanos. Alguém aí me faça o link com um suposto respeito ao Jesus que morreria em breve, porque eu jamais engoli – ops – tudo isso.